Projecto Windfloat Atlantic: Primeiro Parque Eólico marítimo em Portugal

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Portugal começou a dar os primeiros passos na exploração dos recursos energéticos no mar, ajudando dessa forma a criar um novo setor industrial em Portugal com impactos positivos tanto ao nível do emprego como das exportações.

Apesar de ainda se verificar um acentuado crescimento na energia eólica em terra, António Vidigal, Presidente do Conselho de Administração da EDP Inovação, afirma que as aplicações offshore já são uma realidade, dizendo que a médio prazo, o ritmo de crescimento do eólico em terra começará a estabilizar.

Projecto Windfloat

Em que consiste a tecnologia WindFloat?

Windfloat é um projeto pioneiro a nível mundial, que tem como objetivo central, a exploração do recurso eólico em águas profundas.

Esta tecnologia permite a exploração do potencial eólico no mar, em profundidades superiores a 40 metros. O foco de inovação do projeto baseia-se no desenvolvimento de uma plataforma flutuante semi-submersível e triangular, com origem na indústria de extração de petróleo e de gás, onde assenta uma turbina eólica com vários MW de capacidade de produção.

PrinciplePowerWindFloat

A plataforma flutuante fica ancorada ao leito do mar e a sua estabilidade é conseguida através de um sistema de comportas que se enchem de água na base dos três pilares, associadas a um sistema de lastro estático e dinâmico.

Estas plataformas são desenvolvidas tendo em vista a redução e riscos, quer na fase de construção, como na fase de instalação e operação. Assim, a tecnologia WindFloat apresenta as seguintes características:

– Independente da turbina eólica usada – é possível instalar a turbina eólica de qualquer fabricante sem ser necessário fazer alterações à turbina ou à plataforma;

– Estabilidade – a plataforma WindFloat é extremamente estável, resultante de:

  1. oLastro de água – duplica a massa da estrutura (estabilidade estática)
  2. oPlacas de estabilização na base das colunas – limitam e atenuam significativamente os movimentos da estrutura (estabilidade dinâmica)

– Independente da profundidade do local e instalação (para profundidades superiores a 40m)

 Construção feita totalmente em terra, incluindo a montagem das turbinas, o que conduz a um processo simplificado de instalação, evitando assim difíceis e dispendiosos trabalhos em alto mar.

Vantagens da tecnologia Windfloat

Este tipo de plataforma é particularmente indicada para zonas costeiras de média e grande profundidade. Outra das vantagens é sua facilidade de desmontagem, assim como os menores custos e impactes ambientais.

windfloat

Implementação do Projeto WindFloat em Portugal

O projeto foi realizado por uma joint venture internacional designada WindPlus e é coordenado pela EDP, através da EDP Renováveis, juntamente com parceiros como a: Repsol, Principle Power (empresa que desenvolveu a tecnologia windfloat), A. Silva Matos e Portugal Ventures. Ao projeto associou-se também o maior fabricante mundial de turbinas eólicas – Vestas.

A EDP juntamente com os seus parceiros, trabalham desde 2011 em conjunto para construir o primeiro parque eólico no mar português e produzir energia a partir de turbinas flutuantes, essenciais para eólicas em águas profundas.

Toda a construção da fundação e instalação do projeto, foi realizada em Portugal usando, fundamentalmente, recursos Portugueses.

Para o administrador da EDP Inovação, Luís Manuel, “o WindFloat é o mais bem-sucedido projeto de I&D (projeto de investigação e desenvolvimento), na área das renováveis offshore em Portugal, posicionando o país e os parceiros envolvidos na liderança mundial da tecnologia eólica offshore flutuante”.

O projeto WindFloat foi dividido em três fases, com o objetivo de minimizar riscos e garantir que em cada fase do desenvolvimento da tecnologia apenas se despendiam os recursos estritamente necessários ao desenvolvimentos dos objetivos traçados:

  1. Fase Teste – Projeto Piloto
  2. Fase de conceção do WindFloat Atlantic (WFA) – Central Eólica
  3. Fase pré comercial e comercial

WindFloat-Portugal

Fase teste concluída:“Projeto Piloto”

Para a conceção e construção de um prototipo foi montada uma turbina eólica de 2 MW. O protótipo foi instalado ao largo da costa portuguesa, perto de Aguçadoura, na Póvoa do Varzim e ligado à rede elétrica em 2011.

Este foi o primeiro projeto de instalação de turbinas eólicas offshore em todo o mundo que não implicou a utilização de pesados sistemas de construção e montagem no mar.

Após cinco anos no mar, o WindFloat, protótipo pioneiro de produção de energia eólica, concluiu no final do ano 2016 a fase de testes.

O período em que esteve em atividade, provou a fiabilidade da solução tecnológica em condições climatéricas adversas, tendo resistido a ondas com mais de 17 metros e ventos superiores a 60 nós. As tempestades marítimas não comprometeram a capacidade de produção da turbina eólica, assente numa plataforma flutuante, uma vez que gerou e injetou na rede elétrica nacional mais de 17 GWh, correspondendo ao consumo de eletricidade de mais de 1400 famílias, de acordo com os perfis médios de consumo.

Esta fase teste confirmou não só a estabilidade da plataforma como também a eficácia na geração de energia. O desempenho da turbina está em linha com o desempenho das turbinas baseadas em fundações fixas, o que representa um passo importante, pois um dos principais focos desta fase teste era mostrar que o desempenho da turbina não é perturbado pelo facto de ser baseada numa fundação flutuante.

WindFloat terá agora continuidade uns quilómetros a norte, em Viana do Castelo, onde será instalado o primeiro parque eólico offshore flutuante com base nesta tecnologia.

windfloat_prototipo_PT

Fase de conceção – WindFloat Atlantic

Depois do sucesso alcançado pelo projecto piloto Windfloat, desenvolvido pela empresa Principle Power, e após 5 anos de atividade em alto mar, 2017 será o ano em que a fase de exploração da primeira central eólica offshore em Portugal irá começar.

A EDP Renováveis, juntamente com a Mitsubishi Corporation (através da sua filial Diamond Generating Europe), a Chiyoda Corporation (através da sua filial Chiyoda Generating Europe) e a Engie e a Repsol criaram um consórcio que visa implementar o 1º Parque Eólico offshore com sistema flutuante na costa norte de Portugal, chamado WindFloat Atlantic (WFA).

Estima-se que este futuro Parque Eólico em Viana do Castelo, esteja operacional já em 2018.

O Projeto será financiado através de fundos de I&D nacionais e europeus, que estão ao abrigo do programa de financiamento NER 300 e também do Fundo Português de Carbono

O gestor da EDP Renováveis afirma que: “no futuro haverá muitos mais parques offshore flutuantes no mundo“. Uma convicção partilhada pela Principle Power, um dos parceiros deste projeto. “Fomos gerindo o programa de testes do WindFloat passo a passo, conseguindo a cada etapa provas da eficácia e da inovação trazida por esta tecnologia ao mercado offshore”, afirma João Metelo, presidente da Principle Power.

O projecto WindFloat Atlantic (WFA) vai ter uma capacidade total de 25 megawatts (MW), será composto por três ou quatro turbinas e vai estar localizada a 20 quilómetros ao largo de Viana de Castelo.

O gestor da EDP Renováveis, sublinhou que esta tecnologia “não é apenas para Portugal”, mas que pode vir a ser “importante para a exportação, para outros países que tenham também profundidades no mar muito elevadas”.

windfloat

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