Energia que não se perde: O papel das baterias no SEN

A transição energética deixou de ser apenas uma ambição ambiental para se tornar uma necessidade estratégica.

Num contexto marcado por instabilidade geopolítica e pela volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis, países como Portugal têm vindo a reforçar a aposta em energias renováveis. No entanto, esta mudança traz consigo um desafio central: como garantir que a eletricidade está disponível quando é necessária, mesmo quando o sol não brilha ou o vento não sopra?

É neste contexto que o armazenamento de energia assume um papel central.

Sistemas de armazenamento em baterias e o seu impacto no SEN

Os sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS – Battery Energy Storage Systems) têm ganho destaque nos últimos anos como uma das soluções mais eficazes para gerir a eletricidade de forma inteligente e flexível.

Na sua essência, estes sistemas permitem armazenar energia elétrica para utilização posterior. Funcionam através da captação de eletricidade proveniente da rede ou de unidades de produção (como centrais solares ou eólicas), armazenando-a nas células das baterias até que seja necessária. Posteriormente, essa energia pode ser devolvida à rede elétrica ou fornecida diretamente a instalações de consumo.

Na prática, os BESS atuam como verdadeiros “reservatórios” de energia: carregam em períodos de excesso de produção, por exemplo, quando há elevada geração solar durante o dia, e descarregam quando a procura aumenta ou a produção diminui.

Apesar da simplicidade do conceito, o seu impacto no sistema elétrico é significativo. Estes sistemas permitem equilibrar a oferta e a procura em tempo real, aumentar a estabilidade da rede, reduzir desperdícios de energia renovável e contribuir para uma maior eficiência e sustentabilidade do fornecimento elétrico.

Porque são as baterias tão importantes?

À medida que aumenta a incorporação de energias renováveis, cresce também a variabilidade da produção elétrica. Ao contrário das centrais convencionais (carvão, gás), as centrais renováveis dependem de condições naturais imprevisíveis, como o sol e o vento. As baterias ajudam a resolver este problema de várias formas:

✅ Armazenamento de excedentes: evitam o desperdício de energia renovável em momentos de produção elevada.

✅ Fornecimento em picos de consumo: garantem energia quando a procura é maior.

✅ Estabilização da rede: contribuem para a frequência e tensão da rede elétrica.

✅ Redução de custos: permitem guardar energia quando o preço está baixo (ex: durante a noite ou em períodos de produção renovável elevada) e utilizá-la quando a procura e o preço sobem, ajudando a reduzir os custos.

Além disso, as baterias ajudam a evitar o desperdício de energia renovável, armazenando o excesso produzido quando a rede não consegue absorvê-lo, situação conhecida como “curtailment”.

Tipos de armazenamento: colocalizado vs. autónomo

Em Portugal, o enquadramento legal distingue dois modelos principais de armazenamento:

  • Colocalizado: associado a um centro electroprodutor ou unidade de produção para autoconsumo (UPAC). Neste caso, partilha o mesmo ponto de ligação à rede.
  • Autónomo (standalone): ligado diretamente à rede elétrica, sem estar associado a um centro electroprodutor ou UPAC.

 

Na prática, o armazenamento colocalizado tem sido o mais desenvolvido. Isto deve-se sobretudo à dificuldade de acesso à rede elétrica. Ao utilizar ligações já existentes, estes projetos conseguem avançar mais rapidamente.

A colocalização do armazenamento pode ser planeada desde o início do projeto, integrando-se no procedimento de controlo prévio da produção, que passa a incluir também a atividade de armazenamento. Em alternativa, pode ser implementada numa fase posterior, quando o centro electroprodutor ou a UPAC já possui licença de produção, registo prévio ou comunicação prévia. Nesse caso, o centro electroprodutor existente é hibridizado com a instalação de uma nova unidade de armazenamento.

Os projetos autónomos enfrentam maiores dificuldades, já que a capacidade de ligação à rede continua a ser limitada e sujeita a processos concorrenciais.

O desenvolvimento do armazenamento em Portugal tem sido apoiado por instrumentos públicos, incluindo iniciativas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Estes apoios têm privilegiado projetos colocalizados, facilitando a sua implementação em prazos curtos.

O futuro do armazenamento em Portugal

Portugal definiu metas ambiciosas no Plano Nacional de Energia e Clima, apontando para cerca de 2 GW de capacidade instalada de armazenamento em baterias até 2030. No entanto, atingir este objetivo exigirá mais do que projetos em curso. Será necessário:

  • Acelerar o licenciamento;
  • Reforçar a capacidade da rede;
  • Criar condições para o desenvolvimento de projetos autónomos;
  • Reconhecer o valor estratégico do armazenamento de energia.
Desafios 

Apesar dos progressos, persistem obstáculos relevantes sobretudo para projetos que não estão associados a centros eletroprodutores com capacidade previamente atribuída.  

  • Acesso à rede limitado continua a ser o principal entrave ao desenvolvimento de novos projetos.
  • Incerteza regulatória especialmente para soluções autónomas.
  • Valorização insuficiente das funções importantes das baterias, como flexibilidade e resposta rápida, ainda recebem reconhecimento limitado no sistema elétrico.

 

Atualmente, e excluindo a opção de hibridização, a obtenção de capacidade de injeção na rede depende essencialmente de duas vias: a participação em procedimentos concorrenciais ou a celebração de acordos com o operador da rede.

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  • Relatórios de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE);
  • Elaboração e Implementação de Medidas Minimizadoras e Compensatórias (Planos de monitorização).

 

Trabalhos já realizados:

 

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