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Plantar um minifloresta em 12 passos

As miniflorestas urbanas são pequenos espaços de biodiversidade autóctone em contexto urbano que se estão a disseminar um pouco por todo o mundo.

No âmbito do projeto 1Planet4All, que é implementado em Portugal pela Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento (ONGD)​ VIDA, a 2adapt, uma empresa de serviços de adaptação climática, elaborou o guia “MiniFlorestas para MegaAprendizagens”.

Este guia nasceu da vontade de inspirar e estimular a plantação de novas miniflorestas densas e biodiversas, aplicando o método do botânico japonês Akira Miyawaki. A sua metodologia permite construir uma estrutura de multicamadas baseadas no clima e habitat locais e procura replicar as camadas de uma floresta natural.

A metodologia Miyawaki destaca-se pela elevada taxa de sobrevivência e crescimento da floresta devido ao solo abundante em nutrientes e água, à densidade e diversidade de plantação e ao envolvimento comunitário.

Guia “MiniFlorestas para MegaAprendizagens”

O guia foi construído a partir da experiência de cocriação e plantação de miniflorestas, adaptando o método de Miyawaki para o mediterrâneo em diversos contextos, nomeadamente com a plantação da FCULresta, a primeira minifloresta em Portugal.

Este guia é de livre acesso e compila os passos fundamentais, os recursos e as ferramentas necessárias para a criação de uma minifloresta.

A publicação surge em resposta aos diversos pedidos para ajudar na plantação de miniflorestas e baseia-se em 12 passos distribuídos por 4 etapas essenciais na construção e vivência de uma minifloresta urbana:

  • Sonhe e Observe
  • Planeie e Recolha
  • Implemente e Conecte
  • Celebre e Potencie
Sonhe e Observe

Tarefa 1: Envolver a comunidade

A minifloresta começa na imaginação e no sonho de uma pessoa. Tipicamente, para que este se concretize e tenha sucesso, deve ser partilhado e complementado.

O envolvimento comunitário presente no método Miyawaki é, não só fundamental, mas diferenciador, quando comparado com outras formas de reflorestação.

Partilhe ideias, procure potenciais parcerias, crie comunidade!

Tarefa 2: Identificar o espaço

Qualquer espaço com o mínimo de 100 m2 pode ser transformado numa minifloresta. Neste processo é importante ter em atenção cinco aspetos: fonte de água, vegetação, orografia, solo e setores do sol e vento.

Como fazer:

  • Procurar locais subaproveitados com potencial;
  • Calcular a área do espaço;
  • Assinalar no mapa as depressões ou elevações que existam no espaço e a presença de relva, árvores ou arbustos;
  • Identificar o ponto de água; 
  • Analisar o solo com o “teste da jarra”;
  • Identificar o sul/norte e analisa o setor do sol e do vento predominante. Podes utilizar ferramentas online.

Tarefa 3: Conhecer a flora local

A flora autóctone é a base de qualquer minifloresta urbana, pois promove a biodiversidade local, criando assim sistemas mais resilientes e capazes de se desenvolver com a mínima intervenção humana a longo prazo.

A minifloresta é composta por espécies com diferentes alturas, que ocupam diferentes estratos. Tipicamente podemos identificar cinco estratos: herbáceo (0-1,5m), subarbustivo (1-2 m), arbustivo (até 10 m), emergente (mais de 10 m) e escandente (trepadeiras).

Existem formas de conseguirmos descobrir as plantas que necessitamos para criar a minifloresta!

Como?

  • Visitar áreas naturais próximas da futura minifloresta 
  • Utilizar apps como o iNaturalist ou PlantNet para identificar as espécies. Caso queira saber se as espécies são autóctones ou não, podes utilizar a plataforma Flora-On;
  • Consultar o guia de flora local. Tira fotos para mais tarde confirmar.
  • Visitar viveiros locais.
Planeie e Recolha

Tarefa 4: Desenhar a floresta

Para além de albergar a diversidade de flora adequada ao local, a minifloresta fornecerá diversos serviços de ecossistema que o seu desenho poderá potenciar.

Como?

Maximizar a retenção de água e matéria orgânica – Desenhar valas em curva de nível, charcos (temporários ou permanentes) e conduzir a água para esses charcos.

Maximizar a captura de energia solar – Com base na área total de plantação e na densidade de plantação (2-7 plantas/m2), obtém o número total de plantas. As percentagens para cada estrato são: emergente (15%), arbustivo (40%), subarbustivo (30%), herbáceo (10%) e escandente (5%);

Maximizar a interação com (e entre) a comunidade – Criar o máximo de caminhos possível, com pelo menos 1,2 m de largura.

Tarefa 5: Planear a rega

A rega é fundamental para aumentar a taxa de sobrevivência e o crescimento das plantas, sobretudo em climas mediterrâneos.

O objetivo é maximizar a eficiência da rega, disponibilizando água apenas às raízes.

Dependendo do solo e da profundidade média da rizosfera das plantas, é expectável que o crescimento em profundidade seja proporcional à sua altura.

Deve evoluir de regas curtas e muito frequentes para regas longas e esporádicas, para que a água penetre as camadas inferiores do solo.

Tarefa 6: Recolher recursos

Para implementar uma minifloresta de crescimento rápido, são necessários alguns ingredientes muito especiais como: pessoas, plantas, sementes e composto.

Como?

  • Interaja com as entidades parceiras ou fornecedoras dos recursos, de forma a garantir a encomenda, mas também o seu transporte.
  • Encontrar um local abrigado e próximo da minifloresta onde guardar os recursos.
Implemente e Conecte

Tarefa 7: Preparar o terreno

O objetivo é preparar o terreno para receber as plantas e, assim garantir ao máximo a sua sobrevivência e crescimento. Divide-se em quatro passos: mondar, mobilizar, enriquecer e cobrir.

A monda pretende reduzir ou eliminar as espécies invasoras.

A mobilização de terra promove a retenção máxima de água no terreno.

O composto enriquece o solo, promovendo o crescimento as plantas e dos microrganismos durante os primeiros anos.

A manta-morta simula o efeito das folhas no solo da floresta, protege da radiação solar direta, que elimina vida bacteriana e reduz a evaporação e a perda de água.

Tarefa 8: Plantar densamente

O método Miyawaki sugere plantar entre 20 000 a 30 000 árvores por hectare, resultando numa densidade entre as 2 e 7 plantas/m2.

O objetivo é criar uma competição positiva pela luz solar, dado que o solo é abundante em nutrientes e água. Esta competição irá, assim, promover um rápido crescimento vertical das plantas em busca de sol, promovendo também o seu desenvolvimento.

Como?

  • Divida a área de plantação por secções;
  • Calcule o número de plantas de cada estrato para cada secção;
  • Plante tendo em consideração que: espécies arbóreas devem estar pelo menos 1,5 m de distância de caminhos ou limites e pelo menos 50 cm de distância entre si e espécies escandentes próximas de espécies arbóreas;
  • Coloque uma estaca sinalizadora ao lado das plantas mais pequenas.

Tarefa 9: Bomba com sementes

Faça bombas de sementes, pequenas bolas de argila, composto e sementes nativas, para lançar após a plantação. A argila absorve e acumula humidade e o composto fornece alimento, pelo que as sementes contidas nestas bolas, lançadas por cima da manta morta, têm alguma vantagem competitiva na germinação e desenvolvimento. 

Celebre e potencie

Tarefa 10: Cuidar do espaço

Após a plantação é preciso cuidar bem das plantas, especialmente durante os primeiros dois a três anos, para garantir uma minifloresta diversa, autossuficiente e resiliente. Para isto, existem algumas tarefas a ter em conta: regar, mondar, podar, apanhar lixo e criar abrigos.

Tarefa 11: Acompanhar a evolução

Podemos perceber como está a evoluir a minifloresta através da monitorização da saúde das plantas. A monitorização deve realizar-se a cada 6 meses (com uma monitorização inicial após a plantação). 

Tarefa 12: Viver a floresta

Agora a minifloresta fará parte da vida da comunidade, tal como a comunidade faz parte da minifloresta. Viver a floresta é organizar eventos no seu interior como aulas e workshops, é trazer a arte criando elementos decorativos, é utilizá-la como fonte de inspiração ou como objeto de estudo e aprendizagem.

… o que interessa deve ser partilhado!

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