A transição energética europeia está a ganhar um novo impulso no mar. O projeto MARINEWIND, cofinanciado pela União Europeia, surge como uma iniciativa estratégica para acelerar o desenvolvimento da energia eólica offshore flutuante (FOWT).
Durante três anos, especialistas de vários países europeus incluindo Portugal, Espanha, Itália, Reino Unido e Grécia trabalharam em conjunto para identificar obstáculos, oportunidades e soluções capazes de impulsionar a energia eólica flutuante na Europa. O resultado: um conjunto de recomendações práticas para autoridades públicas e PME, intervenientes da indústria, cidadãos e comunidades de investigação.
Objetivo: Ajudar a superar os obstáculos da energia eólica offshore flutuante, tais como a aceitação social, a proteção ambiental, os desafios em matéria de licenciamento e a preparação da cadeia de abastecimento e da tecnologia.
Tecnologia FOWT
A tecnologia FOWT permite instalar turbinas eólicas em águas profundas, onde o vento é mais forte e constante. Mas o seu desenvolvimento traz também diversos desafios ambientais, sociais e tecnológicos.
O projeto MARINEWIND propõe algumas soluções, como:
Cabos dinâmicos e flexíveis para resistir às condições marítimas extremas;
Sistemas de mitigação de ruído e revestimentos ecológicos, que reduzam o impacte nos ecossistemas marinhos;
Tecnologias de deteção de aves e monitorização ambiental, promovendo a coexistência entre natureza e energia.
Estas soluções têm como objetivo tornar os projetos mais sustentáveis e acelerar os processos de licenciamento.
Cooperação internacional
O MARINEWIND sublinha a importância de aprender com os países pioneiros, como a Dinamarca e o Reino Unido, que lideram o setor da energia eólica offshore. A criação de redes de conhecimento entre países mediterrânicos permitirá melhorar competências técnicas, regulamentação e mecanismos de financiamento, fortalecendo a indústria europeia e tornando-a menos dependente de fornecedores externos.
Energia eólica offshore em Portugal
Portugal é um dos países com maior potencial no setor. Contudo, o relatório destaca a necessidade de reforçar infraestruturas portuárias e redes elétricas, para acolher projetos em grande escala e atingir os ambiciosos 10 GW de energia eólica offshore até 2050.
Modernizar portos como Viana do Castelo, Figueira da Foz e Sines, simplificar o licenciamento e atrair investimento internacional são passos decisivos para que o país se torne um polo estratégico de energia eólica offshore.
As recomendações do MARINEWIND para Portugal são claras:
1) Reforçar a preparação das infraestruturas para o desenvolvimento da energia eólica offshore flutuante
Os portos portugueses de Viana do Castelo, Figueira da Foz e Sines precisam de ser modernizados para responder às exigências da energia eólica offshore flutuante, desde a montagem até à manutenção das plataformas. A atual capacidade da rede elétrica também é insuficiente para integrar a energia produzida no mar, o que pode comprometer as metas nacionais de 2 GW até 2030 e 10 GW até 2050.
Para acelerar o desenvolvimento do setor, é essencial reforçar as infraestruturas portuárias e elétricas, garantindo a montagem, transporte e manutenção eficientes das turbinas. As prioridades passam por:
Modernizar e ampliar os portos, adaptando-os a equipamentos e operações de grande escala;
Reforçar as ligações à rede para assegurar uma transmissão de energia estável e fiável;
Simplificar licenças e canalizar financiamento público, estimulando o investimento privado;
Apostar na inovação logística, com soluções sustentáveis que otimizem a cadeia de abastecimento.
2) Incluir critérios qualitativos além do preço nos leilões de energia eólica offshore
O Governo português planeia leiloar até 10 GW de energia eólica offshore até 2050, uma meta ambiciosa que representa uma oportunidade decisiva para acelerar a transição energética e impulsionar a economia verde.
Contudo, os modelos de leilão atuais, centrados apenas no preço mais baixo, podem comprometer objetivos ambientais e sociais. Para garantir projetos verdadeiramente sustentáveis, é essencial integrar critérios como proteção da biodiversidade, benefícios para as comunidades locais e inovação tecnológica, alinhando Portugal com as boas práticas europeias.
Ao valorizar fatores ambientais e sociais nos leilões, o país pode aumentar a aceitação pública, gerar emprego local e reforçar a confiança nas energias renováveis.
3) Promover a coexistência entre parques eólicos offshore e atividades marítimas
Os pescadores de Viana do Castelo manifestam preocupação com a possível perda de áreas de pesca, os impactes nos recursos marinhos e os riscos económicos para as comunidades costeiras resultantes da implementação dos futuros parques eólicos offshore flutuantes. Além disso, a sua localização pode interferir com rotas marítimas intensas, levantando questões de segurança náutica.
Sem um bom planeamento e gestão proativa de conflitos, estes projetos podem enfrentar atrasos, litígios e oposição local. A solução passa pelo diálogo colaborativo entre pescadores, autoridades e promotores, promovendo usos múltiplos do mar, como a combinação de eólica com aquicultura ou turismo sustentável.
Uma abordagem participativa, com compensações justas e benefícios locais, permitirá conciliar a transição energética com a preservação das atividades marítimas e a proteção dos ecossistemas.
O MARINEWIND recomenda campanhas de sensibilização, consultas públicas e projetos de co-criação que envolvam as comunidades locais desde o início. Quando as pessoas percebem os benefícios, como emprego, investimento local e redução de emissões, a aceitação social aumenta significativamente.
4) Reforçar as cadeias de abastecimento locais para a energia eólica offshore flutuante
A meta de leiloar 2 GW de energia eólica offshore até 2030 representa uma grande oportunidade para a economia portuguesa, especialmente para as cadeias de abastecimento locais. Contudo, existem lacunas críticas, como por exemplo, a falta de preparação industrial, escassez de embarcações especializadas e dificuldades logísticas, que precisam de ser superadas.
Para tirar partido deste potencial, Portugal deve mobilizar o seu know-how industrial, sobretudo nos setores naval e metalúrgico e atrair investimento público e privado, nacional e estrangeiro.
5) Garantir Avaliações de Impacte Ambiental (AIA) abrangentes
A instalação de parques eólicos offshore em Portugal terá impactes nos ecossistemas marinhos, afetando habitats sensíveis e a biodiversidade. O projeto MARINEWIND realça que há falta de dados marinhos de base, de uma grande preocupação com impactes cumulativos e baixa sensibilização pública sobre as medidas de mitigação.
Para minimizar estes efeitos, é essencial reforçar o processo de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), assegurando estudos rigorosos, transparência e participação das partes interessadas, aprendendo com a experiência do WindFloat Atlantic.
A indústria deve avaliar os impactes desde as fases iniciais e adotar tecnologias inovadoras de mitigação. As autoridades públicas devem uniformizar e partilhar dados ambientais e a sociedade civil deve participar ativamente, promovendo uma gestão mais informada e sustentável dos oceanos.
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Fonte: Projeto MARINEWIND



