Revisão do Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental decorre até 2021

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Cerca de 25% das espécies de mamíferos em todo o mundo encontram-se ameaçadas devido à destruição e degradação do habitat, captura ilegal, invasão de espécies exóticas e alterações globais.

A última avaliação sobre os estatutos de ameaça dos mamíferos de Portugal Continental ocorreu em 2005, ano em que foi publicado o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Na altura ocorriam 104 espécies de mamíferos em território nacional. Das 74 espécies de mamíferos do continente avaliadas, 18 estavam ameaçadas de extinção: 5 “Criticamente Em Perigo”, 3 “Em Perigo” e 10 “Vulneráveis”.

Com o objetivo de atualizar e melhorar a informação disponível no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, no que se refere aos mamíferos, equipas de diversos cientistas, profissionais e voluntários estão a trabalhar, para que juntos, possam contribuir para o desenvolvimento do projeto “Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental”.

Este trabalho de investigação, que conta também com o apoio do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) iniciou em 2019 e irá prolongar-se até ao final do ano de 2021.

Principais objetivos

  1. Compilar e sintetizar a informação já existente;
  2. Reforçar o conhecimento de todas as espécies de mamíferos de Portugal Continental;
  3. Recolher informação para colmatar lacunas de conhecimentos sobre o tipo de ocorrência, distribuição e abundância das espécies;
  4. Desenvolver uma base de dados sobre as espécies de mamíferos que ocorrem no Continente (SIMPOC);
  5. Avaliar o estado de conservação das espécies abrangidas pelos anexos das Diretiva Habitats, uma avaliação realizada a cada 6 anos;
  6. Recolher informações sobre as espécies que estão em declínio populacional, as espécies mais ameaçadas e as que estão estáveis ou em claro aumento populacional;
  7. Avaliar estatuto de ameaça e o risco de extinção de todas as espécies autóctones de mamíferos que ocorrem em Portugal Continental e atribuir-lhes categorias de acordo com o sistema de classificação da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN);
  8. Elaborar uma Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas;
  9. No âmbito deste projeto será editado o novo livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental.

A área de intervenção do projeto abrange todo o território de Portugal Continental, em especial as áreas protegidas e os Sítios de Importância Comunitária (SIC) e Zonas Especiais de Conservação (ZEC) da Rede Natura 2000 e as áreas do território com défice claro de informação.

Será dada especial atenção a 3 grupos de espécies:

  1. as que se suspeita estarem em declínio populacional acentuado;
  2. as que estão classificadas com o estatuto de Informação Insuficiente (DD) no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (2005);
  3. as que não foram avaliadas na última revisão do referido livro, incluindo as novas espécies para as quais estava disponível pouca informação e as que não tinham ocorrência confirmada em território continental.

 Livro Vermelho dos Mamíferos – para que serve?

O Livro Vermelho é um instrumento crucial para ajudar a decidir prioridades e medidas de conservação. É também uma chamada de atenção para as espécies que podemos estar a perder.

Maria da Luz Mathias, coordenadora do projeto explica que “a elaboração de Listas Vermelhas é fundamental para uma gestão ativa e eficiente das espécies e dos habitats, sendo globalmente reconhecidas como um instrumento importante pelos gestores, comunidade científica e público em geral.”

Quais são as espécies de mamíferos mais ameaçadas até agora?

Segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, de 2005, entre as espécies mais ameaçadas estavam:

1) Espécies classificadas como “Criticamente Em Perigo”

  1. o lince-ibérico (Lynx pardinus);
  2. a cabra-montês (Capra pyrenaica);
  3. o morcego-de-ferradura-mediterrânico (Rhinolophus euryale);
  4. o morcego-de-ferradura-mourisco (Rhinolophus mehelyi);
  5. morcego-rato-pequeno (Myotis blythii).

2) Espécies classificadas como “Em Perigo”

  1. lobo (Canis lupus);
  2. o morcego de Bechstein (Myotis bechsteinii);
  3. baleia-comum (Balaenoptera physalus);
  4. Em Dezembro de 2019, a UICN reviu também o estatuto do coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) nas suas áreas nativas, que era considerado Quase Ameaçado, para Em Perigo.

Uma avaliação de 2019, realizada pelo ICNF para as espécies protegidas no âmbito da Diretiva Habitats, identificaram 9 espécies com estado de conservação desfavorável e 33 espécies com estado desconhecido. Em situações desfavoráveis encontram-se espécies como o toirão (Mustela putorius), gato-bravo (Felis silvestris), rato de Cabrera (Microtus cabrerae) e toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus).

Espécies novas em território português

Desde 2005 foram registadas 12 espécies novas em território português. No grupo de mamíferos terrestres, registou-se a ocorrência:

  1. do rato-das-neves (Chionomys nivalis);
  2. do morcego-hortelão-claro (Eptesicus isabellinus);
  3. do morcego-de-bigodes de Alcathoe (Myotis alcathoe);
  4. do morcego-de-franja-críptico (Myotis crypticus).

Entre os mamíferos marinhos, foram confirmadas como espécies novas para Portugal Continental:

  1. a baleia de Bryde (Balaenoptera edeni);
  2. o golfinho de Fraser (Lagenodelphis hosei);
  3. o golfinho-de-laterais-brancas do Atlântico (Lagenorhynchus acutus);
  4. o golfinho-de-bico-branco (Lagenorhynchus albirostris);
  5. o golfinho-malhado do Atlântico (Stenella frontalis);
  6. o cachalote-anão (Kogia sima);
  7. a baleia-de-bico de Sowerby (Mesoplodon bidens);
  8. baleia-de-bico de True (Mesoplodon mirus).

Este projeto é co-financiado pelo POSEUR, Portugal 2020, União Europeia – Fundo de Coesão e pelo Fundo Ambiental.

Pode acompanhar o desenvolvimento do projeto do Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental através do site www.livrovermelhodosmamiferos.pt e das redes sociais (Facebook, twitter, Instagram).


A NOCTULA – Consultores em Ambiente realiza várias monitorizações ambientais, nomeadamente Monitorização de Sistemas Ecológicos:

  1. Fito e Zooplâncton
  2. Flora, Vegetação e Habitats
  3. Invertebrados
  4. Herpetofauna (anfíbios e répteis)
  5. Aves
  6. Mamíferos voadores – quirópteros (morcegos)
  7. Mamíferos terrestres
  8. Mamíferos marinhos

Para além da monitorização de Sistemas Ecológicos, também elaboramos e implementa planos de gestão para espécies específicas de fauna e flora e medidas de minimização e compensatórias de impactes sobre as mesmas.

Plano de Monitorização dirigido à espécie Murbeckiella sousae na área dos parques eólicos de Seixinhos e Penedo Ruivo (Serra do Marão) e a Monitorização da Mortalidade de Aves e Quirópteros (morcegos) no parque eólico da Serra d’el Rei são apenas dois exemplos dos muitos trabalhos realizados pela nossa equipa no âmbito da Monitorização de Sistemas Ecológicos.

Caso necessite de algum serviço na área da Monitorização de Sistemas Ecológicos, não hesite em contactar-nos: 232 436 000 ou através do email: info@noctula.pt.


Fontes: Livro Vermelho dos Mamíferos; uevora; ICNF; Wilder

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