Reinventar a Energia Eólica: Start-up espanhola desenvolve turbinas eólicas sem pás

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As turbinas eólicas são uma das tecnologias mais populares para gerar energia limpa e sustentável, pois convertem a energia cinética do vento em energia elétrica através de um sistema de lâmina rotativa. No entanto, o design das turbinas eólicas convencionais tem levantado algumas questões ambientais relacionadas com o ruído, o impacto visual e ainda com a mortalidade de várias espécies de aves.

Para colmatar alguns destes problemas, a start-up tecnológica espanhola Vortex Bladeless, está a desenvolver um novo sistema para produção de energia eólica que dispensa as lâminas (ou pás) e utiliza a vibração da própria torre para produzir energia elétrica.

Os principais benefícios desta tecnologia comparativamente às turbinas eólicas usadas atualmente, consistem em reduzir o impacto ambiental, o impacto visual e o custo de operação e manutenção da turbina.

Reinventar a Energia Eólica… em que consiste o sistema Vortex Bladeless?

O Vortex Bladeless é uma forma alternativa e inovadora de aproveitar a energia eólica, com características diferentes das turbinas eólicas atuais. Esta tecnologia não usa as pás convencionais nas turbinas eólicas, obtendo energia do vento através da oscilação.

Batizados como Vortex Mini (uso doméstico) e Vortex Gran (uso industrial), os dois dispositivos garantem eficiência, sustentabilidade e economia na sua produção e manutenção.

Ao contrário dos meios convencionais que capturam energia pelo movimento circular, este sistema inovador aproveita o fenómeno aerodinâmico da vorticidade, onde o vento flui ao redor de um objeto produzindo pequenos vórtices, suficientes para uma estrutura fixa oscilar e entrar em ressonância com a corrente de ar.

Com o formato de uma torre com sensivelmente 3 metros de altura, esta turbina eólica é composta por um mastro fixo e um cilindro oco de fibra de carbono e de vidro, que sendo um material leve e resistente, maximiza as oscilações e, consequentemente, gera mais energia. A base da estrutura contém um alternador que converte o movimento em eletricidade e dois ímanes que funcionam como motores, pois à medida que as oscilações ocorrem, eles repelem-se e puxam o mastro de um lado para o outro, intensificando o movimento.

O criador do Vortex Bladeless afirma que a turbina não constitui um perigo para os padrões de migração de aves ou para a vida selvagem. Adicionalmente, afirma que o ruído criado seria numa frequência praticamente indetetável para os seres humanos.

“Hoje, a turbina é pequena e pode gerar pequenas quantidades de eletricidade, mas estamos à procura de parceiros industriais para aumentar os nossos planos e desenvolver turbinas de 140 metros com uma capacidade de potência de 1 megawatt”, explica David Yáñez.

design deste sistema eólico ganhou recentemente a aprovação da empresa energética da Noruega, Equinor, que considerou a Vortex Bladeless como uma das 10 mais entusiasmantes start-ups no setor da energia. A empresa irá oferecer suporte para o desenvolvimento da start-up, através do seu programa de desenvolvimento tecnológico.

Principais vantagens

Como não possuí componentes mecânicos consegue-se uma redução de pelo menos 51% do seu custo de produção em comparação aos modelos convencionais;

Minimização até 40% a pegada de carbono resultante do processo de produção;

 A ausência de engrenagens, parafusos e partes móveis, que sofrem desgaste durante a vida útil, reduzem em 80%, os custos com a manutenção;

Estas turbinas podem ter uma vida útil de mais de 15 ou 20 anos, sendo que, durante este tempo são também silenciosas, com baixo impacto visual e constituem um menor risco para as aves;

Apesar da ausência das pás implicar uma redução de 30% na absorção de vento, tal é compensado pela possibilidade de instalação de um maior número de turbinas num mesmo espaço, já que podem ser colocadas mais próximas umas das outras;

Enquanto os modelos convencionais são obrigados a parar a produção na presença de fluxos turbulentos de ar, com esta solução isso não acontece devido à sua capacidade de se adaptarem muito rapidamente às mudanças de direção do vento.

Aplicabilidade

Em declarações ao jornal britânico The Guardian, o responsável pelo desenvolvimento destas turbinas, David Yáñez, afirma que este sistema pode ser um complemento à energia solar fotovoltaica “porque os painéis solares produzem eletricidade durante o dia, enquanto as velocidades do vento tendem a ser mais altas à noite”.

 Um dos objetivos da implementação desta tecnologia consiste na possibilidade de utilizar estas turbinas em espaços urbanos e residenciais.


Fontes: vortexbladeless; revistasustentaveldn-eng

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