Projeto Windfloat Atlantic: O primeiro Parque Eólico Marítimo em Portugal

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Portugal começou a dar os primeiros passos na exploração dos recursos energéticos no mar, ajudando dessa forma a criar um novo setor industrial em Portugal com impactos positivos tanto ao nível do emprego como das exportações.

Apesar de ainda se verificar um acentuado crescimento na energia eólica em terra, António Vidigal, Presidente do Conselho de Administração da EDP Inovação, afirma que as aplicações offshore já são uma realidade.

Como prova disso, o projeto WindFloat Atlantic, o primeiro Parque Eólico Marítimo em Portugal instalado em plataformas flutuantes já se encontra 100% operacional.

A instalação deste parque eólico flutuante:

  1. promove a diversificação da origem da energia;
  2. proporciona um acesso sem precedentes às áreas marinhas;
  3. representa um avanço tecnológico significativo em termos de descarbonização da economia.

Primeira plataforma –  Instalada

Em comunicado a EDP explicou que “esta primeira plataforma permitirá abastecer a rede elétrica portuguesa com a energia produzida pela sua turbina eólica de 8,4 MW, a maior alguma vez instalada numa plataforma flutuante a nível mundial”, o que contribui para aumentar a geração de energia e incentiva uma redução considerável dos custos associados ao ciclo produtivo.

Segunda plataforma –  Instalada

A segunda das três plataformas que constituem o projeto foi fabricada em Ferrol (Espanha) e já foi instalada no seu destino definitivo – Parque WindFloat Atlantic. Os trabalhos de instalação decorreram de forma idêntica à primeira plafataforma.

Terceira plataforma – Instalada

A última das três plataformas que compõem o Parque WindFloat Atlantic já se encontra ligada à rede.

O WindFloat Atlantic já está plenamente operacional e a fornecer energia limpa à rede elétrica de Portugal.

Como decorreu o transporte destas plataformas?

O transporte das três estruturas flutuantes que compõem o WindFloat Atlantic é um grande feito, dado que evita a necessidade de contar com um navio rebocador especializado, ao contrário das instalações fixas que, por serem mais profundas, requerem embarcações mais caras para o transporte. Este fator facilita a sua replicação em outras geografias.

As plataformas do WindFloat Atlantic estão ancoradas no fundo do mar por correntes, a mais de 100 metros de profundidade e o seu design orientado para a estabilidade em condições climatológicas e de marés adversas.

Projecto Windfloat

Estas plataformas foram construídas num trabalho de cooperação entre Portugal e Espanha. Duas das plataformas foram fabricadas nos estaleiros de Setúbal. A ASM Industries, o maior produtor português de torres eólicas e fundações offshore, foi a empresa escolhida para fabricar e fornecer as duas plataformas. Já a terceira plataforma foi fabricada nos estaleiros de Avilés e Ferrol, em Espanha.

A estrutura flutuante, com 30m de altura e uma distância de 50m entre cada uma das suas coluna, permite albergar as maiores turbinas do mundo instalados numa superfície flutuante, com uma capacidade de produção de 8,4 MW cada.

O WindFloat Atlantic, que tem uma capacidade total instalada de 25 MW, é o primeiro parque eólico flutuante semi-submersível do mundo e irá gerar energia suficiente para abastecer o equivalente a 60 000 utilizadores por ano, poupando quase 1,1 milhões de toneladas de CO2.

Em que consiste a tecnologia WindFloat?

Windfloat é um projeto pioneiro a nível mundial, que tem como objetivo central, a exploração do recurso eólico em águas profundas.

Esta tecnologia permite a exploração do potencial eólico no mar, em profundidades superiores a 40 metros. O foco de inovação do projeto baseia-se no desenvolvimento de uma plataforma flutuante semi-submersível e triangular, com origem na indústria de extração de petróleo e de gás, onde assenta uma turbina eólica com vários MW de capacidade de produção.

PrinciplePowerWindFloat

A plataforma flutuante fica ancorada ao leito do mar e a sua estabilidade é conseguida através de um sistema de comportas que se enchem de água na base dos três pilares, associadas a um sistema de lastro estático e dinâmico.

Estas plataformas são desenvolvidas tendo em vista a redução de riscos, tanto na fase de construção, como na fase de instalação e operação. Assim, a tecnologia WindFloat apresenta as seguintes características:

– Independente da turbina eólica usada – é possível instalar a turbina eólica de qualquer fabricante sem ser necessário fazer alterações à turbina ou à plataforma;

– Estabilidade – a plataforma WindFloat é extremamente estável, resultante de:

  1. oLastro de água – duplica a massa da estrutura (estabilidade estática)
  2. oPlacas de estabilização na base das colunas – limitam e atenuam significativamente os movimentos da estrutura (estabilidade dinâmica)

– Independente da profundidade do local e instalação (para profundidades superiores a 40m)

 Construção feita totalmente em terra, incluindo a montagem das turbinas, o que conduz a um processo simplificado de instalação, evitando assim difíceis e dispendiosos trabalhos em alto mar.

Vantagens da tecnologia Windfloat

Este tipo de plataforma é particularmente indicada para zonas costeiras de média e grande profundidade. Uma das suas principais vantagens é sua facilidade de montagem com menos custos e impactes ambientais.

Esta tecnologia facilita o acesso a recursos eólicos inexplorados em águas profundas e tem vantagens mais vastas que aumentam a sua acessibilidade e a relação custo-eficácia, incluindo:

  1. a aptidão para montagem em doca seca;
  2. não há necessidade de rebocadores especializados;
  3. não depende de operações offshore complexas associadas à instalação das estruturas tradicionais de base fixa.

Todas estas vantagens tecnológicas tornam viável a sua replicação em qualquer outra parte do planeta e em maior escala.

windfloat

Implementação do Projeto WindFloat em Portugal

A EDP Renováveis juntamente com os seus parceiros, trabalham desde 2011 em conjunto para construir o primeiro parque eólico no mar português e produzir energia a partir de turbinas flutuantes, essenciais para eólicas em águas profundas.

Toda a construção da fundação e instalação do projeto, foi realizada em Portugal usando, fundamentalmente, recursos Portugueses.

Para o administrador da EDP Inovação, Luís Manuel, “o WindFloat é o mais bem-sucedido projeto de I&D (projeto de investigação e desenvolvimento), na área das renováveis offshore em Portugal, posicionando o país e os parceiros envolvidos na liderança mundial da tecnologia eólica offshore flutuante”.

O projeto WindFloat foi dividido em três fases, com o objetivo de minimizar riscos e garantir que em cada fase do desenvolvimento da tecnologia apenas se despendiam os recursos estritamente necessários ao desenvolvimentos dos objetivos traçados:

  1. Fase Teste – Projeto Piloto
  2. Fase de conceção do WindFloat Atlantic (WFA) – Central Eólica
  3. Fase pré comercial e comercial

WindFloat-Portugal

Projeto Piloto

Para a conceção e construção de um prototipo foi montada uma turbina eólica de 2 MW. O protótipo foi instalado ao largo da costa portuguesa, perto de Aguçadoura, na Póvoa do Varzim e ligado à rede elétrica em 2011.

Este foi o primeiro projeto de instalação de turbinas eólicas offshore em todo o mundo que não implicou a utilização de pesados sistemas de construção e montagem no mar.

Após cinco anos no mar, o WindFloat, protótipo pioneiro de produção de energia eólica, concluiu no final do ano 2016 a fase de testes.

O período em que esteve em atividade, provou a fiabilidade da solução tecnológica em condições climatéricas adversas, tendo resistido a ondas com mais de 17 metros e ventos superiores a 60 nós. As tempestades marítimas não comprometeram a capacidade de produção da turbina eólica, assente numa plataforma flutuante, uma vez que gerou e injetou na rede elétrica nacional mais de 17 GWh, correspondendo ao consumo de eletricidade de mais de 1400 famílias, de acordo com os perfis médios de consumo.

Esta fase teste confirmou não só a estabilidade da plataforma como também a eficácia na geração de energia. O desempenho da turbina está em linha com o desempenho das turbinas baseadas em fundações fixas, o que representa um passo importante, pois um dos principais focos desta fase teste era mostrar que o desempenho da turbina não é perturbado pelo facto de ser baseada numa fundação flutuante.

WindFloat terá agora continuidade uns quilómetros a norte, em Viana do Castelo, onde foi instalado o primeiro parque eólico offshore flutuante com base nesta tecnologia, designado de WindFloat Atlantic (WFA).

windfloat_prototipo_PT

WindFloat Atlantic (WFA)

Depois do sucesso alcançado pelo projeto piloto Windfloat, desenvolvido pela empresa Principle Power, e após 5 anos de atividade em alto mar, iniciou-se a fase de exploração da primeira central eólica offshore em Portugal.

Este projeto é liderado por um consórcio internacional designado WindPlus e é coordenado pela EDP, através da EDP Renováveis, juntamente com parceiros como a: Repsol, Principle Power (empresa que desenvolveu a tecnologia windfloat) e a Engie.

O projeto WindFloat Atlantic conta ainda com a parceria de empresas como a joint venture entre a Navantia/Windar, o Grupo A. Silva Matos, Bourbon, o fornecedor de turbinas eólicas Vestas MHI e o fornecedor de cabos dinâmico, a JDR Cables.

Esta parceria e cooperação entre as várias empresas permitiu implementar o Primeiro Parque Eólico offshore com sistema flutuante na costa norte de Portugal – WindFloat Atlantic (WFA).

windfloat

O projeto é financiado através de fundos de I&D nacionais e europeus, que estão ao abrigo do programa de financiamento NER 300 e também do Fundo Português de Carbono

O gestor da EDP Renováveis afirma que: “no futuro haverá muitos mais parques offshore flutuantes no mundo“. Uma convicção partilhada pela Principle Power, um dos parceiros deste projeto. “Fomos gerindo o programa de testes do WindFloat passo a passo, conseguindo a cada etapa provas da eficácia e da inovação trazida por esta tecnologia ao mercado offshore”, afirma João Metelo, presidente da Principle Power.

O gestor da EDP Renováveis, sublinhou que esta tecnologia “não é apenas para Portugal”, mas que pode vir a ser “importante para a exportação, para outros países que tenham também profundidades no mar muito elevadas”.


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