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Estás a sabotar o meu sonar? – Ecolocalização de morcegos

Para localizar comida, os morcegos emitem sons e captam o eco que estes produzem. O facto de serem capazes de ecolocalizar, permitiu-lhes tornarem-se predadores aéreos ferozes que caçam na completa escuridão. Contudo, este sonar biológico é vulnerável a interferências. Quando morcegos rivais estão a perseguir o mesmo conjunto de insetos, um “chamamento especial de bloqueio” pode eliminar a competição.

Tadarida brasiliensis

Aaron CorcoranWilliam Conner da Wake Forest University, estudaram as táticas de alimentação dos morcegos da espécie Tadarida brasiliensis, que formam as maiores colónias do mundo – alguns abrigos albergam mais de um milhão de morcegos. Interações sociais entre tantos animais são complexas, envolvendo pelo menos 15 tipos diferentes de chamamentos sociais. Porém, neste estudo, havia um sinal específico que os cientistas não conseguiam explicar!

Para resolver este mistério, a dupla de investigadores realizou vários trabalhos de campo, durante os quais gravou áudio e vídeo dos morcegos na Southwestern Research Station, no Arizona e no estacionamento de uma escola, no Novo México. Os investigadores criaram ainda reconstruções em 3D das rotas de voo destes morcegos.

Na imagem seguinte pode ver-se uma torre com luz ultravioleta que atrai insetos e consequentemente os morcegos. Nessa zona, foram registados os sinais que os morcegos emitiam através de dois microfones ultra-sónicos colocados debaixo da luz.


Um dos sons registados, chamado “vocalização de alimentação (feeding buzz)“, é um chamamento cujos sinais ficam cada vez mais rápidos à medida que os morcegos se aproximam da presa, permitindo saber exatamente qual a localização do inseto durante os momentos finais da “perseguição”.

Exemplo de um chamamento de um morcego da espécie Tadarida brasiliensis | Crédito: Aaron Corcoran (os sons foram abrandados 20 vezes para se tornarem audíveis ao ouvido humano)

Os investigadores gravaram outro tipo de chamamento que ainda não tinha sido estudado, um som que os morcegos só emitiam quando existiam outros morcegos nas proximidades a fazer a sua “vocalização de alimentação”.

Pesquisas anteriores mostraram que a utilização de diferentes frequências sonoras permite que muitos morcegos possam caçar no mesmo espaço – as interferências nos sinais uns dos outros eram aparentemente acidentais. No entanto, algo mais traiçoeiro estava a acontecer! As interferências eram adaptativas e não acidentais.

Tadarida brasiliensis-morcego

“O sinal de interferência foi concebido pela evolução para atrapalhar ao máximo a ecolocalização de outros morcegos”, diz Corcoran. “Para este tipo de interferência, o som emitido precisa de sobrepor-se aos ecos dos outros em tempo e em frequência.”

Numa segunda experiência, a equipa atraiu morcegos para uma área onde colocaram insetos, que foram suspensos com uma linha de pesca ultra-fina, enquanto diferentes ultrassons eram emitidos com um altifalante. As reproduções do chamamento de interferência levaram a que os morcegos que se estavam a alimentar, perdessem o seu alvo (os insetos), tendo menos 73,5% de sucesso na captura das presas, em comparação com os sons controlo.

“Este é o primeiro estudo a demonstrar que os morcegos interferem ativamente na ecolocalização dos outros morcegos“, “aumentando o número de funções conhecidas para os sons dos morcegos para três: ecolocalização, comunicação e interferência acústica, diz Corcoran.

Para saber mais informações sobre este estudo consulte o artigo publicado na Science Magazine.

Fontes: IFLScience, Science News, Popular Mechanics

A NOCTULA – Consultores em Ambiente desenvolve estudos de monitorização de morcegos em várias infraestruturas, como parques eólicos, centrais solares,  aproveitamentos hidroelétricos.

Exemplo disso são, nomeadamente, os projetos Prospeção de abrigos de morcegos – Aproveitamento Hidroelétrico do Fridão e Monitorização de morcegos – parque eólico do Sobrado.

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