Lista Verde da IUCN: O novo modelo de avaliação de espécies protegidas

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A International Union for Conservation of Nature (IUCN) está a preparar um novo método que irá medir com eficácia o sucesso dos programas de conservação de espécies.

O novo modelo foi apresentado pelo Grupo de Trabalho do Comité da Lista Vermelha da IUCN para o “Sucesso da Conservação das Espécies”, sob o título de ‘Lista Verde de Espécies da IUCN‘. A nova estrutura pretende ajudar a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas a se recuperar, medindo as ações de conservação.

O novo método não vai substituir a Lista Vermelha da IUCN, mas sim complementá-la, demonstrando o sucesso real de projetos de conservação.

Enquanto que a Lista Vermelha da IUCN, avalia o risco de extinção das espécies, Lista Verde,  avaliará a recuperação de espécies e irá medir o sucesso de conservação, avaliando ainda quais os indicadores de conservação para o futuro.

A Lista Vermelha da IUCN foi criada em 1963 e constitui um dos inventários mais detalhados do mundo sobre o estado de conservação mundial de várias espécies de plantas, animais e fungos. Já o arranque deste novo modelo de avaliação de espécies está previsto para 2020, dentro de dois anos. A estrutura será testada extensivamente através de várias espécies terrestres, marinhas e de água doce, a fim de encontrar um sistema que funcione para todas as espécies.

Craig Hilton-Taylor, responsável máximo pela Unidade da Lista Vermelha e co-autor do artigo sobre a nova metodologia, que foi publicado na revista científica Conservation Biology, indicou que “o novo enquadramento destaca uma mudança ambiciosa no pensamento da conservação para a necessidade de assegurarmos a recuperação de espécies, em vez de evitarmos apenas a sua extinção”.

Um dos novos estatutos inseridos na ‘Green List’ deverá ser o de espécie “totalmente recuperada”, definida como uma espécie viável e que cumpre os seus papéis ecológicos nos ecossistemas da sua área natural de distribuição.

O conceito da nova estrutura para medir o sucesso da conservação surgiu do desejo de incentivar a ação de conservação, quantificando o seu sucesso. O novo método baseia-se em 4 índices práticos que visam demonstrar sucessos de conservação e o grau de recuperação das espécies, ao invés de status de ameaça. Este método considera:

  1. os impactos da conservação no passado;
  2. o que aconteceria se as medidas de conservação atuais cessassem;
  3. ganhos esperados da ação de conservação;
  4. quão próxima de uma espécie ‘totalmente recuperada’ pode ficar uma espécie com ações de conservação efetivas.

Águia-imperial-ibérica “Espécie Criticamente Em Perigo” – Programa de conservação “LIFE Imperial

‘Green List’ –  Programa de Áreas Protegidas e Conservadas da IUCN

O Programa da Lista Verde de Áreas Protegidas e Conservadas da IUCN  visa incentivar, alcançar e promover áreas protegidas eficazes, equitativas e bem sucedidas em todos os países. Pretende incentivar as áreas protegidas a medir, melhorar e manter o seu desempenho por meio de critérios globalmente consistentes.

A fase piloto da Lista Verde da IUCN, já terminou. Agora, a equipa técnica da IUCN quer assinalar por todo o mundo, zonas onde a proteção da biodiversidade está a ter sucesso, de forma a que no futuro possam servir de exemplo para projetos semelhantes. Nos últimos anos, foram reconhecidas 22 áreas no total.

Marc Hockings, responsável máximo da Lista Verde, explicou que a “entrada de novas zonas na Lista Verde, permite perceber até que ponto as medidas de proteção anunciadas estão a ser seguidas, em locais formalmente protegidos”.

Atualmente o projeto está em fase de levantamento das áreas protegidas que vão ser reconhecidas. Em causa estão 4 critérios principais:

  1. Boa governação;
  2. ‘Design’;
  3. Gestão efetiva;
  4. Resultados na área da conservação.

Prevê-se que em cada país, uma equipa de especialistas intitulada de Eagl (Expert Assessment Group) analise as áreas protegidas que pretendem entrar na lista.


Saiba mais sobre a Lista Verde – Programas de Áreas Protegidas e Conservadas da IUCN aqui.


Portugal tem algumas espécies classificadas como ameaçadas ou em risco de extinção, como são o caso:

  1. das espécies terrestres, Lince e lobo Ibérico, classificados como “espécies em “perigo”, 
  2. da Águia-imperial-ibérica – classificada como espécie Criticamente Em Perigo”
  3. o Abutre-preto – classificado como “espécie Criticamente Em Perigo”
  4. o Saramugo – classificado como “espécie Criticamente Em Perigo”

Para proteger e conservar estas espécies, várias equipas técnicas, apoiadas por programas de conservação, trabalham diariamente para proteger estas espécies. Portugal dispõe de vários programas de preservação, conservação e reintrodução como por exemplo:

  1. o projeto LIFE Saramugoque decorre desde 2014 até 2018;
  2. o projeto LIFE Imperial , que decorre entre 2014 a 2018;
  3. programas de conservação e de reintrodução da espécie, desenvolvidos desde 2009, no Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico, em Silves (Portugal);
  4. O Grupo Lobo.

Lobo-Ibérico (Canis lupus signatus) – Programa de Conservação “Grupo Lobo


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Fontes: Wilder, IUCN, The Guardian

Imagens retiradas do site: Flickr e Pixabay.

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