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Resíduos Têxteis: Em Portugal cerca de 200 mil toneladas por ano vai para o lixo

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Nas últimas décadas a produção mundial de roupa tem se expandido de tal forma, que atualmente é conhecida por fast fashion”.

Entre as várias consequências deste movimento de aceleração e globalização de produção têxtil, estão os problemas ambientais provocados pela quantidade roupa que acaba no lixo depois de deixar de ser útil. Há uma parte que é colocada em contentores para reutilização, mas ainda há um grande quantidade destes resíduos a ir para os contentores indiferenciados, que têm como único destino o aterro e a incineração.

Em Portugal, deita-se para o lixo cerca de 200 mil toneladas de resíduos têxteis por ano.

Segundo dados da APA – Agência Portuguesa do Ambiente (divulgados recentemente pelo DN), em 2017 foram recolhidos cerca de 200 756 toneladas de resíduos têxteis nos contentores de resíduos urbanos, o que representa cerca de 4% do total de resíduos produzidos em Portugal (perto de 4,75 milhões).

Segundo a Greenpeace cada pessoa compra, em média, mais 60% das peças do que comprava no ano 2000 e só as mantém metade do tempo”. Este comportamento, cada vez mais integrado na nossa sociedade, traz consequências graves para a sustentabilidade do nosso planeta.

Atualmente a indústria têxtil é já considerada uma das mais poluentes do mundo, logo a seguir à indústria petrolífera.

Um dos maiores problemas do setor têxtil diz respeito às matérias-primas usadas. “A maior parte da roupa é sintética e provém do petróleo.

Carmen Lima, coordenadora do Centro de Informação de Resíduos da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza diz que “cada vez mais deixamos de comprar roupa de algodão e nos vestimos de plástico. Por outro lado, há o impacto associado às tintas, que acabam muitas vezes por contaminar os rios. Já as emissões atmosféricas de gases de efeito estufa são uma constante desde o processo de produção, ao transporte, até ao próprio uso.”


Sabia que…

  1. Para produzir uma T-shirt de algodão são necessários 2 700 litros de água;
  2. A produção de umas calças de ganga, por exemplo, o consumo de água pode chegar aos 10 000 litros.

Nova Diretiva (UE) 2018/851

A percentagem de resíduos que é encaminhada para a reciclagem e reutilização, ainda não é feita nas condições que deveria ser. No entanto, a nova Diretiva (UE) 2018/851, publicada a 30 de maio de 2018, estabeleceu prazos obrigatórios para que a recolha seletiva de resíduos têxteis seja implementada já a partir de 1 de janeiro de 2025.

Com a publicação desta diretiva, está prevista a implementação de sistemas de recolha seletiva de resíduos têxteis pelos sistemas de gestão de resíduos urbanos, ou pelos municípios que os integram. A partir dessa altura, os têxteis encaminhados como resíduos serão, sempre que possível, preparados para reutilização e reciclagem.

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Empresas e Marcas que fazem a diferença…

Uma das empresas que se dedica à recolha de roupa em Portugal é a Ultriplo. Em 2018 recolheu 6 333 584 quilos de resíduos têxteis. Este valor estima “uma redução anual de 19 634,1 toneladas de dióxido de carbono”.

Outro exemplo é a empresa Sasia que recicla cerca de 900 toneladas de tecidos.

Nos últimos anos, são também várias as marcas de roupa a dar passos importantes rumo a um futuro mais sustentável no setor têxtil. Assistimos à criação de vários conceitos amigos do ambiente, nomeadamente dentro da moda ecovegan, mas também a iniciativas com vista à redução da pegada ecológica do setor.

Em 2013 a H&M lançou uma iniciativa de reciclagem de têxteis, que lhe permitiu reciclar 25 mil toneladas de roupa doada pelos seus clientes em todo o mundo, o equivalente a 125 milhões de t-shirts. Atualmente nas lojas da marca, os clientes recebem vouchers por cada saco de roupa usada que entregam.

Em 2016 foi a vez de a Zara apostar na reciclagem de roupa. Atualmente, a marca tem pontos de recolha em algumas lojas, mas pretende vir a estender o serviço a toda a sua rede. De acordo com a informação disponível no siteas peças recolhidas serão “doadas, recicladas, transformadas em novos tecidos ou comercializadas de forma a permitir o financiamento” de várias organizações sem fins lucrativos, como a Cáritas ou a Cruz Vermelha.

A C&A também tem vindo a desenvolver várias ações e produtos que procuram diminuir o seu impacto ambiental. Uma das estratégias passa, por exemplo, pela aposta em algodão biológico ou pela utilização de materiais reciclados.


Fontes: DN

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