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Como está a qualidade do ar na Europa?

Entende-se por Qualidade do Ar, o nível de alteração da camada inferior da atmosfera (troposfera). Essa alteração repercute-se negativamente na saúde pública e no bem estar das populações, exercendo também uma influência negativa na fauna, flora e até no património construído.

O ar difere da maioria dos restantes recursos naturais pelo facto de não existir a possibilidade de escassez, não necessitando por isso, que o seu uso seja racionalizado. A sua vulnerabilidade reside no seu elevado risco de deterioração. Nesse contexto a Agência Europeia do Ambiente – AEA, publicou em novembro de 2016 um relatório que analisa a qualidade do ar na Europa, intitulado «Relatório sobre a qualidade do ar na Europa – 2016».

Este relatório apresenta uma visão atualizada e uma análise da qualidade do ar na Europa de 2000 a 2014 com base em dados de estações oficiais de monitorização em toda a Europa e inclui mais de 400 cidades. Mostra que em 2014 cerca de 85% da população urbana da UE estava exposta a partículas finas (PM2,5), a níveis considerados nocivos para a saúde pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O relatório também fornece novas estimativas dos impactos dos poluentes atmosféricos mais nocivos sobre a saúde, com base nos dados de 2013. A exposição a PM2,5 foi responsável por cerca de 467 000 mortes prematuras em 41 países europeus em 2013. Na União Europeia, os óbitos prematuros ultrapassaram os 430 000. Os impactos estimados da exposição ao dióxido de azoto (NO2) e ao ozono ao nível do solo (O3) Cerca de 71 000 e 17 000 mortes prematuras, respetivamente, na Europa.

As partículas poluentes podem causar ou agravar doenças cardiovasculares, asma e câncer de pulmão, sendo as camadas mais jovens (crianças) e os idosos, a população mais afetada.

qualidade do ar

O relatório realça a melhoria da qualidade do ambiente nos últimos anos. A média anual de PM10 diminuiu em 75% dos locais monitorizados durante o período 2000-2014. Da mesma forma, as concentrações de PM2,5, em média, diminuíram entre 2006 e 2014 para todos os tipos de estações (urbano, tráfego, locais de fundo, etc.). A exposição a níveis de PM acima das recomendações da OMS também diminuiu ao longo dos anos.

Na sequência da aprovação da nova Directiva relativa aos limites nacionais de emissão, os novos compromissos nacionais estabelecem a redução das emissões aplicáveis a partir de 2020 e 2030 para os 5 principais poluentes: SO2, NOx, NMVOC, NH3 e PM2.5.

A poluição atmosférica tem impactos significativos na saúde dos europeus, especialmente nas áreas urbanas, de acordo com este relatório. Embora a qualidade do ar esteja a melhorar lentamente, a poluição atmosférica continua a ser o maior risco para a saúde ambiental na Europa, resultando numa menor qualidade de vida devido a doenças e cerca de 467 000 mortes prematuras por ano.

EU urbanites exposure to air pollution

Entre 2000 e 2014, uma proporção significativa da população urbana da UE-28 foi exposta a concentrações de determinados poluentes atmosféricos acima dos limites da UE. O número de pessoas expostas foi ainda maior em relação aos valores mais rigorosos da diretiva da qualidade do ar da OMS, estabelecidos para a proteção da saúde humana.

Para as partículas finas (PM2,5), 8 – 17% da população urbana foi exposta a concentrações superiores ao valor-alvo da UE, enquanto 85-97% foram expostos a concentrações acima do valor da diretriz da OMS (apenas para 2006-2014) ).
No caso das partículas em suspensão (PM10), as respetivas estimativas de exposição foram de 16 a 42% para o valor-limite da UE e de 50 a 92% para o valor-guia da OMS.
Para o ozono (O3), as estimativas foram de 8 – 55% para o valor-alvo da UE e de 94-99% para o valor da diretriz da OMS.
Para o dióxido de azoto (NO2), as estimativas foram de 7 – 31% nos dois casos (valor-limite da UE e diretriz da OMS).
Para o benzo (a) pireno (BaP), as estimativas foram de 17-24% para o valor-alvo da UE e de 81-91% para o nível de referência estimado (apenas para 2008-2014).

“As reduções de emissões conduziram a melhorias na qualidade do ar na Europa, mas não o suficiente para evitar danos inaceitáveis à saúde humana e ao ambiente. Precisamos de combater as causas profundas da poluição atmosférica, o que exige uma transformação fundamental e inovadora dos nossos sistemas de mobilidade, energia e alimentação. Este processo de mudança requer ação de todos nós, incluindo autoridades públicas, empresas, cidadãos e comunidade de pesquisa”, refere, Hans Bruyninckx, Diretor Executivo do AEA.

Para consultar o Relatório completo da Qualidade do Ar 2016 , clique aqui.

Índice de Qualidade do Ar (IQAr) em Portugal

Em Portugal, a Agência Portuguesa do Ambiente – APA, disponibilizada diariamente índices de qualidade do ar (IQAr) de todas as zonas urbanas do continente, incluindo as ilhas.

Este indicador facilita a comunicação do estado da qualidade do ar e dos efeitos que a exposição a níveis excessivos de poluentes provoca na saúde humana, focando nos grupos sensíveis cuja capacidade respiratória se encontra em formação ou debilitada.

Pode analisar a qualidade do ar e os níveis de poluição da sua cidade em tempo real, aqui.

Indicie da qualidade do ar 2015 - Portugal

Poluição atmosférica no Mundo – Impacto nas crianças

Segundo o relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF, divulgado em outubro de 2016, cerca de 300 milhões de crianças de todo o mundo vivem em áreas onde a poluição atmosférica, é seis vezes maior que os níveis internacionais aceitáveis.

O relatório aponta que cerca de dois bilhões de crianças vivem em áreas com poluição causada por emissão de veículos, alto consumo de combustíveis fósseis, pó e fumaça de lixo que excedem as diretivas mínimas de qualidade do ar, determinadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O mapa indica as regiões mais afetadas (na escala, azul é exposição baixa, vermelho escuro é alta) | Fonte: UNICEF

No seguimento da COP22 de Marraquexe, o UNICEF pede aos líderes mundiais que adotem quatro medidas urgentes para proteger as crianças da poluição do ar: “reduzir a poluição aos níveis aceites pela OMS; aumentar o acesso das crianças aos serviços de saúde; minimizar a exposição de crianças às fontes de poluição, como localização de fábricas longe de escolas e playgrounds assim como uso de fogões mais adequados; e monitorização da poluição do ar.”

O diretor executivo do UNICEF, Anthony Lake, afirmou que os poluentes prejudicam não apenas os pulmões, mas podem também causar danos permanentes no cérebro, comprometendo o futuro das crianças. O estudo “Clear the air for children” está disponível para download aqui.

poluição atmosférica

 

Fontes: Portal do Estado do Ambiente, EEA EuropaNações unidas no brasil

A NOCTULA – Consultores em Ambiente foi responsável pela caracterização das emissões atmosféricas numa empresa agro-alimentar portuguesa especializada em lacticínios e derivados.

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