Porque é que a Toupeira-de-Água está a desaparecer?

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De acordo com um novo estudo realizado por uma equipa de investigadores do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos – CIBIO-InBIO, da Universidade do Porto, publicado recentemente na revista Animal Conservationa Toupeira-de-Água (Galemys pyrenaicus) desapareceu de 63,5% dos locais onde existia no Nordeste de Portugal.

Este mamífero está há 10 anos classificado como ‘Vulnerável’ pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), e estima-se que haja apenas 10.000 exemplares em Portugal.O Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, publicado em 2005, também classificou esta espécie com o mesmo estatuto.

Perante esta diminuição populacional, os especialistas sugerem uma reavaliação do estatuto de conservação desta espécie, alteração importante “para atrair os recursos necessários para promover a conservação da toupeira-de-água, tentando deter a tendência atual de declínio“, explica o investigador  Lorenzo Quaglietta.

Segundo Lorenzo, um outro passo importante consiste em reunir “esforços na manutenção da elevada qualidade da água, da densidade da vegetação nas margens dos ribeiros, e do livre fluxo dos cursos de água“, de forma a preservar as condições naturais das zonas ribeirinhas“.

Em todo o mundo só existem toupeiras-de-água nos rios e ribeiras de montanha nos Pirenéus (Andorra e França), no Centro e Norte de Espanha e no Norte de Portugal. Em todos estes territórios, a espécie está em regressão.

Principais ameaças

A toupeira-de-água habita em ambientes aquáticos, especialmente nas zonas conhecidas como cabeceiras (áreas de nascentes em zonas montanhosas) que servem de abrigo natural. Por serem locais onde as águas têm baixa temperatura e fluxo rápido, reúnem as condições favoráveis à fixação destes animais, pelo que a sua preservação, assim como dos riachos e ribeiros no geral, é essencial para a sobrevivência de toda a biodiversidade dos ecossistemas de água doce.

Estes ecossistemas são ameaçados por múltiplos fatores como:

  1. a desflorestação de encostas e margens dos rios;
  2. alterações climáticas (alteração do fluxo variável dos rios, devido às secas);
  3. degradação e a fragmentação do habitat (através da construção de barragens e da poluição);
  4. Espécies invasoras (em particular os lagostins-americanos e um parente da lontra, o visão-americano).

Lorenzo Quaglietta, indicou a possibilidade de “os lagostins estarem a competir com a toupeira pelo alimento e que o visão-americano esteja a predá-la”.

Localização da área de estudo e ocorrência da espécie no Nordeste de Portugal (CIBIO-InBIO – imagem retirada do estudo)

Principais recomendações

Os investigadores consideram que a situação atual exige “medidas urgentes de conservação para travar ou reverter a tendência negativa” desta espécie, que pode estar a aproximar-se da classificação “Criticamente Em Perigo”.

  1. Preservar a biodiversidade dos rios onde a espécie ocorre e recuperá-la onde foi destruída;
  2. As zonas conhecidas como cabeceiras, zonas que funcionam como refúgios naturais destes mamíferos contra as alterações climáticas e espécies invasoras, também devem ser preservadas;
  3. Monitorização contínua e urgente das populações de toupeira-de-água. Idealmente em toda a área de distribuição, para identificar ameaças e prioridades de conservação;
  4. Estudo da influência das espécies exóticas invasoras. É essencial “fazer a prevenção e o combate às espécies invasoras que competem por alimento e têm efeitos negativos no habitat”.
  5. Reavaliação do estatuto da espécie. Esta medida seria importante para elevar a prioridade da espécie e atrair recursos necessários para melhorar a sua conservação.
  6. Conectividade das populações de toupeira-de-água. Os investigadores consideram importante compreender os padrões de conectividade das populações de toupeira confinadas a refúgios, e desenvolver estratégias de conservação, porque várias dessas populações podem estar muito isoladas.

Fotografia de Joel Sartore, autor do projeto Photo Ark.

Os resultados deste novo estudo fazem parte de uma pesquisa mais abrangente sobre a ecologia da toupeira-de-água. Em Abril de 2018, a equipa do Cibio-InBio realizou uma expedição na região do Douro, durante a qual foi acompanhada pelo fotógrafo da National Geographic, Joel Sartore, autor do projecto Photo Ark.

No âmbito deste projeto da National Geographic, a toupeira-de-água tornou-se o 8000.º animal a integrar “a maior arca fotográfica do mundo“, uma arca de Noé do século XXI que retrata várias espécies ameaçadas ou quase extintas. Joel Sartore, pretende fotografar as 12 000 espécies que se encontram em cativeiro e reservas naturais em todo o mundo, com a intenção de alertar para a urgência da sua preservação.


A NOCTULA – Consultores em Ambiente, foi responsável pela monitorização de Toupeira-de-água, através de câmaras de vídeo com sensores de movimento, no Aproveitamento Hidroelétrico do Mel.

Mais informações sobre este projeto, aqui: Monitorização da Toupeira-de-Água com câmaras de “vídeo-armadilhagem”.

Realizamos várias monitorizações ambientais, nomeadamente Monitorização de Sistemas Ecológicos:

  1. Fito e Zooplâncton
  2. Flora, Vegetação e Habitats
  3. Invertebrados
  4. Herpetofauna (anfíbios e répteis)
  5. Aves
  6. Mamíferos voadores – quirópteros (morcegos)
  7. Mamíferos terrestres
  8. Mamíferos marinhos

Caso necessite de algum serviço na área da Monitorização de Sistemas Ecológicos, não hesite em contactar-nos: 232 436 000 ou através do email: info@noctula.pt.


Fonte: Público, wilder

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