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Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental

A versão digital da publicação final do projeto “Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental”, já está disponível para consulta.

Pode descarregar documento em formato PDF AQUI

Esta publicação foi apresentada na conferência de apresentação pública dos resultados finais do projeto, que se realizou em Outubro de 2020, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

O livro contém a síntese das fichas de avaliação das 381 espécies que se encontram ameaçadas de extinção e das 19 espécies atualmente extintas em Portugal continental, e é parte integrante da coleção “Botânica em Português”  produzida por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa no âmbito da distinção de Lisboa como Capital Verde Europeia 2020.

As fichas de avaliação completas das 630 plantas avaliadas no âmbito do projeto serão disponibilizadas faseadamente durante o primeiro semestre de 2021 e ficarão acessíveis para consulta e descarregamento no portal de dados da Lista Vermelha da Flora Vascular em lvf.flora-on.pt e no sítio do projeto em listavermelha-flora.pt.

Desde 1990 que Portugal tem Livros Vermelhos para espécies de vertebrados, cuja revisão levou à publicação do Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, em 1995.

No que respeita à flora, apenas está disponível o Atlas e Livro Vermelho dos Briófitos Ameaçados de Portugal, publicado em 2013, que faz referência a plantas não vasculares, como por exemplo os musgos.

Segundo os responsáveis pela elaboração da Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental”, estavam ainda por avaliar todas as restantes plantas – plantas vasculares (espécies da flora com vasos que transportam seiva para alimentar as células), que são aproximadamente 3.000 espécies em Portugal Continental e que representam a maior componente da flora nacional.

O projeto ‘Lista Vermelha da Flora Vascular’ teve início a 7 de outubro de 2016 e é coordenado pela Sociedade Portuguesa de Botânica (SPBotânica) e pela Associação Portuguesa de Ciência da Vegetação – PHYTOS, em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Além da equipa técnica responsável e de vários voluntários que se juntaram a este projeto, a Lista Vermelha contou ainda com o apoio de herbários e de pessoas que colaboraram através do portal Flora-On, uma plataforma que disponibiliza um grande volume de dados sobre a distribuição de inúmeras espécies nativas de Portugal Continental.

Objetivo

A 1ª Lista Vermelha da Flora Vascular teve com principal objetivo colmatar as lacunas que existem no conhecimento da flora vascular que ocorre em território nacional, através da recolha e da compilação de dados que permitam cartografar a distribuição da taxa autóctone de Portugal continental, e simultaneamente avaliar o risco de extinção das espécies da flora vascular, com recurso aos critérios da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN – União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN Red List of Threatened Species TM).

O projeto teve especial atenção para com as 621 plantas-alvo, plantas sobre as quais se supõe que estejam mais ameaçadas, e sobre as quais é necessário obter mais informação, designadamente:

  • Qual a sua localização;
  • Qual é a sua população;
  • Quais as principais ameaças.

 

 

O projeto pretende:

Melhorar o conhecimento da distribuição das espécies de flora vascular autóctones de Portugal continental, em particular das espécies RELAPE (Raras, Endémicas, Localizadas, Ameaçadas ou em Perigo de Extinção) e das espécies constantes dos Anexos II, IV e V da Directiva Habitats;

Avaliar o risco de extinção das espécies de flora vascular autóctones de Portugal continental, através da aplicação dos critérios da UICN, em particular das espécies RELAPE e das espécies constantes dos Anexos II, IV e V da Directiva Habitats.

 
As boas notícias…

Durante os anos de trabalhos de campo que decorreram desde 2016, uma equipa de botânicos juntamente com muitos voluntários, tem vindo a percorrer muitos quilómetros, de Norte a Sul do país. Como resultado deste trabalho intensivo, a equipa reencontrou “3 espécies de plantas que se pensava estarem extintas em Portugal, 2 das quais não eram observadas há cerca de 50 anos.”

A “Viola hirta” é uma dessas 3 espécies e consiste num tipo de violeta que não se via desde a década de 90 do século XX e que foi reencontrada em Trás-os-Montes.

Descobriram-se também 4 espécies novas para Portugal, que nunca tinham sido registadas no país, e são “muito raras” também em Espanha.

O trabalho desenvolvido também ajudou a encontrar novos locais onde ocorrem espécies, que em Portugal têm áreas de distribuição conhecidas muito reduzidas.

 

As más notícias…

Numa avaliação preliminar do projeto, aa equipa que desenvolve o projeto, descobriu que 4 espécies estão possivelmente extintas e 13 encontram-se “criticamente em perigo”.

As 4 espécies extintas faziam parte da lista de plantas-alvo do projeto e não foram detetadas nos territórios onde costumam ocorrer o que, segundo os técnicos, pode significar “uma possível extinção destas espécies em Portugal”.

Entre as espécies que já desapareceram do território continental português estão a:

 

O trevo de quatro folhas está a desaparecer?

O trevo-de-quatro-folhas já não é avistado em território nacional há quase 4 anos. Não se trata do Trifolium com mutação genética, que todos nós gostaríamos de encontrar como símbolo de sorte, mas sim, do feto aquático Marsilea quadrifolia, cujo último núcleo populacional conhecido em Portugal estava localizado perto da foz do rio Corgo, em Trás-os-Montes.

De acordo com dados da Sociedade Portuguesa de Botânica, aquele habitat não alberga esta espécie desde 2006 e a última vez que foi observado em território nacional foi em 2014.

Este feto ainda não foi declarado extinto, mas poderá vir a sê-lo se continuar a não ser visto até 2027. Para já “tem o estatuto de criticamente em perigo, porque se assinalam declínios continuados ao nível da extensão de ocorrência, área de ocupação, qualidade do habitat, tamanho da população e número de localizações”.

Marsilea quadrifolia – Pequeno feto aquático em risco de extinção

Principais ameaças

Tanto a agricultura intensiva praticada em larga escala como a urbanização do litoral, a expansão urbanística e a erosão, estão  a provocar “declínios acentuados” em algumas plantas, afirmam os coordenadores do projeto.

Se é especialista ou se tiver bons conhecimentos de botânica, saiba que pode contribuir para esta Lista Vermelha. Veja aqui.

A NOCTULA – Consultores em Ambiente realiza várias monitorizações ambientais, nomeadamente monitorização de sistemas ecológicos.

Monitorização de Flora, Vegetação e Habitats

  • Identificação da presença de espécies RELAPE;
  • Acompanhamento da recuperação do coberto vegetal em áreas intervencionadas;
  • Levantamentos e catálogos florísticos.

 

A nossa equipa já elaborou vários trabalhos neste âmbito, nomeadamente:

 

 

Caso necessite de algum serviço nestas áreas, não hesite em contactar-nos: 232 436 000 ou através do email: info@noctula.pt.

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