Portugal já tem um Atlas das Aves Invernantes e Migradoras

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Para muitas espécies de aves europeias, a Península Ibérica é um importante refúgio de inverno. Para outras, é um posto de abastecimento vital nas suas longas viagens Norte-Sul. No entanto, ainda não havia dados que permitissem avaliar como essas espécies utilizam o território nacional.

Em setembro de 2018, com base em mais de 4000 horas de trabalho de campo, foi publicado o 1º Atlas das Aves Invernantes e Migradoras de Portugal que visa colmatar essa lacuna.

Os trabalhos de campo duraram cerca de 2 anos, iniciando em agosto de 2011 até fevereiro de 2013. Incluíram duas épocas de campo completas – Inverno (novembro a fevereiro) e a migração pós-nupcial (agosto a outubro).

Os dados foram recolhidos através de visitas sistemáticas que cobriram 3/4 do território nacional, observações não sistemáticas, anilhagem e através de outros censos e monitorizações e plataformas de registo de espécies, como o Biodiversity4all e o eBird.


O Atlas das Aves Invernantes e Migradoras de Portugal pode ser consultado online. CLIQUE AQUI.


A elaboração do Atlas das Aves Invernantes e Migradoras de Portugal foi uma iniciativa da Spea – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves em parceria com:

  1. LabOr- Laboratório de Ornitologia da Universidade de Évora;
  2. ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas;
  3. Secretaria Regional da Energia, Ambiente e Turismo (Açores);
  4. Serviço do Parque Natural da Madeira;
  5. Associação Portuguesa de Anilhadores de Aves.

Este Atlas contém informação sobre a abundância e distribuição de mais de 300 espécies de aves em Portugal e será uma ferramenta fundamental para a gestão e conservação das aves selvagens portuguesas.

O projeto envolveu mais de 400 ornitólogos (amadores e profissionais), tornando-se um compêndio de informação sobre a ocorrência de aves no território nacional (incluindo Açores, Madeira e Selvagens) durante a migração outonal e de Inverno.

Deste projeto fizeram ainda parte 17 coordenadores regionais, 320 observadores de campo, 25 anilhadores credenciados, 59 autores de textos e 60 fotógrafos.

Segundo os dados do Atlas, as zonas do país que albergam maior diversidade de aves durante o inverno são as rias, estuários e lagoas próximas da costa. Estes locais são também importantes para as aves aquáticas que migram pelo território continental português e que dependem de uma vasta rede de zonas húmidas costeiras, desde o estuário do Minho a norte, passando pelo estuário do Tejo ( a zona húmida mais importante do país) até ao estuário do Guadiana a sul.

Já as aves planadoras como as aves de rapina, as cegonhas e os grous, fazem-se notar sobretudo no sul do país, em locais como a península de Sagres ou as serras algarvias. Estas aves acumulam-se aqui a caminho de Gibraltar, onde a travessia do Mediterrâneo é mais estreita.

Quanto às migrações sobre alto mar, as aves marinhas que passam na costa portuguesa têm diferentes padrões migratórios, umas ficando por águas lusas, outras apenas de passagem.

Por fim, a Península Ibérica é também, tanto no outono como no inverno, um ponto atrativo para passeriformes e outras pequenas aves, que aqui encontram temperaturas mais amenas e uma abundância de insetos e bagas de que se alimentam.

Este primeiro retrato global das aves que visitam o Portugal nos meses mais frios é apenas um ponto de partida. Estudos futuros poderão comparar dados e assim perceber como é que as espécies estão a reagir às alterações climáticas, às políticas agrícolas e aos projetos de conservação.

A informação pode agora ser consultada livremente por investigadores e conservacionistas, que poderão usá-la como base para decisões na gestão e promoção do território e, acima de tudo, na conservação de aves. Disponível gratuitamente o Atlas pode ainda ser um recurso para os amantes e observadores de aves.


A NOCTULA – Consultores em Ambiente realiza várias monitorizações ambientais, nomeadamente monitorização de sistemas ecológicos.

Monitorização de Aves

Prestamos serviços especializados de monitorização, mitigação e investigação para aves aquáticas e marinhas, aves de rapina, passeriformes em geral, aves de montanha, estepárias e noturnas.

Metodologias:

  1. Censos de aves (transectos, pontos fixos, método dos mapas, emissão de vocalizações conspecíficas (também designado por “chamamentos de aves noturnas”));
  2. Bioacústica (monitorização e avaliação do impacte do ruído e da perturbação em bioindicadores);
  3. Radio-tracking e seguimento por satélite.

NOCTULA – Consultores em Ambiente já foi responsável pela monitorização de Avifauna em vários projetos, nomeadamente no Parque Eólico de São Macário, cujos objetivos principais foram:

1. Identificar alterações na comunidade avifaunística presente na área do parque eólico e da linha elétrica, em termos de um eventual efeito de exclusão;

2. Monitorizar a ocorrência de mortalidade de avifauna na área do parque eólico e da linha elétrica;

3. Avaliar eventuais alterações na forma como as rapinas e outras aves planadoras utilizam a área do parque eólico.

Outros projetos:

  1. Monitorização de Avifauna – Parque Eólico da Maunça (fase de construção);
  2. Monitorização da mortalidade da Avifauna – Parque Eólico do Sobrado;
  3. Avifauna na Linha Elétrica Frades-Caniçada.

Fonte: Spea, Wilder

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