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7 plantas ameaçadas que dependem das Zonas Húmidas

Em Portugal estarão registadas cerca de 100 espécies de plantas aquáticas de água doce. Estas espécies até podem passar despercebidas, mas todas têm o seu papel crucial no equilíbrio da biodiversidade do planeta, quer vivam debaixo de água, nas margens ou sejam flutuantes.

Jael Palhas, investigador do Centro de Ecologia Funcional, em entrevista à Wilder, referiu que atualmente há “muitas as espécies de plantas aquáticas de água doce em perigo”. O investigador que se tem dedicado a procurar, mapear e a propagar espécies ameaçadas, sublinhou  que “a situação é mesmo dramática”.

Segundo Jael Palhas estas são as 7 espécies ameaçadas em Portugal que mais dependem de habitats húmidos para sobreviverem:

Estaque-do-Baixo-Mondego (Stachys palustris)

Esta espécie só existe no Baixo Mondego e tem sido afetada por uma planta invasora parasita que lhe suga a seiva (Cuscuta arvensis). Um outro fator que tem afetado a sobrevivência desta espécie, são os projetos de requalificação das margens, que podem destruir muitos habitats. Em 2020, esta espécie foi alvo de ações de conservação pelo projeto Flora Reply da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra.

Fonte: Flora.on

Serralha de água (Groenlandia densa)
 

Groenlandia densa é uma planta que está dependente de massas de água carbonatada. Todas as populações estão ameaçadas pela poluição e, sobretudo, pela limpeza das linhas de água.

Fonte: Flora.on

Junco-florido (Butomus umbellatus)
 

Esta espécie está ameaçada no Paul do Boquilobo por sobrepastoreio fora da área de reserva integral e por falta de pastoreio na área de reserva integral. É ainda afetada por herbicidas nos arrozais e por competição com espécies invasoras (principalmente a Paspalum paspalodes).

Fonte: Flora.on
 
Espiga-de-água-de-folhas-variadas (Potamogeton gramineus)

O Potamogeton gramineus está restrito a poucos pontos na Beira Litoral, ameaçado pela eutrofização e pelas espécies invasoras como o lagostim (que o come) e as acácias (que eutrofizam os charcos).

Fonte: Flora.on

Nenúfar-anão ou golfo-menor (Nymphoides peltata)
 

O nenúfar-anão desapareceu de todo o centro do país e já só existe no rio Minho, onde está agora a ser ameaçado por novas espécies exóticas como a Ludwigia peploides.

Fonte: Flora.on

Fitas ou saca-rolhas (Vallisneria spiralis)

Vallisneria spiralis esteve desaparecida durante 40 anos e foi redescoberta no verão de 2020 por Afonso Petronilho, após dois meses de buscas que envolveram o projeto Flora Reply, a Associação Charcos e Companhia e o acompanhamento e auxílio na confirmação da identificação por parte do Udo Schwarzer. Em 2020 esta espécie foi alvo de ações de conservação pelo projeto Flora Reply da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra.

Fonte: jb.utad

Estrela-de-água (Damasonium bourgaei)

Damasonium bourgae está classificada como “Criticamente Em Perigo” e já só existe num charquinho no Paul do Boquilobo e em cerca de 12 poças no Algarve. Está muito dependente destas zonas húmidas pequenas e temporárias, que são as menos valorizadas pela população e até pela comunidade científica e as mais fáceis de destruir.

Fonte: Flora.on

O que são Zonas Húmidas?
Segundo o texto aprovado pela Convenção de Ramsar, Zonas Húmidas são definidas como: “zonas de pântano, charco, turfeira ou água, natural ou artificial, permanente ou temporária, com água estagnada ou corrente, doce, salobra ou salgada, incluindo águas marinhas, cuja profundidade na maré baixa não exceda os seis metros”. As “Zonas Húmidas podem incluir zonas ribeirinhas ou costeiras a elas adjacentes, assim como ilhéus ou massas de água marinha com uma profundidade superior a seis metros em maré baixa, integradas dentro dos limites da zona húmida”. Esta definição inclui, assim, todos os ambientes aquáticos do interior e a zona costeira marinha.
 
Dia Mundial das Zonas Húmidas

O Dia Mundial das Zonas Húmidas comemora-se anualmente a 2 de fevereiro e a sua origem prende-se com a criação da Convenção de Ramsar, referente à conservação e ao uso sustentável das Zonas Húmidas.

Para o ano 2021 as comemorações deste dia deram relevo às zonas húmidas como fonte de água potável, encorajando ações que contribuam para o seu restauro e impeçam a sua destruição.

A Convenção de Ramsar entrou em vigor a 2 de fevereiro de 1975 e conta atualmente com 169 Países Contratantes em todos os Continentes. Atualmente, foram designados pelas Partes Contratantes cerca de 2.200 Sítios de importância internacional, cobrindo cerca de 215.247.837 ha (hectares) de Zonas Húmidas.

O Estado Português assinou a Convenção sobre Zonas Húmidas em 1980 (Decreto n.º 101/80, de 9 de outubro) e ratificou-a em 24 de novembro desse mesmo ano, tendo como obrigações:

Designar Zonas Húmidas para inclusão na Lista de Zonas Húmidas de Importância Internacional. Estes Sítios são reconhecidos a partir de critérios de representatividade do ecossistema, de valores faunísticos e florísticos e da sua importância para a conservação de aves aquáticas e peixes;

Elaborar Planos de Ordenamento e de Gestão para as Zonas Húmidas, com vista à sua utilização sustentável;

Promover a conservação de Zonas Húmidas e de aves aquáticas, estabelecendo Reservas Naturais e providenciar a sua proteção.

 
Lista de Sítios de Conservação Ramsar em Portugal (sig.icnf)

24 de março de 1981: a fim de tornar efetiva a aplicação da Convenção no nosso País, foram incluídas, numa primeira fase, 2 Zonas Húmidas na Lista de Sítios Ramsar:

  1. Estuário do Tejo;
  2. Ria Formosa.

 

Em 1996, durante a realização da 6.ª Conferência das Partes Contratantes (COP), em Brisbane (Austrália), Portugal designou 8 novos Sítios:

  1. Paul de Arzila;
  2. Paul da Madriz;
  3. Paul do Boquilobo;
  4. Lagoa de Albufeira;
  5. Estuário do Sado;
  6. Lagoas de Santo André e da Sancha;
  7. Ria de Alvor;
  8. Sapais de Castro Marim.

 

Em 2001, foram incluídos 2 Sítios:

  1. Paul de Tornada;
  2. Paul do Taipal.

 

Em 2005, foram designados 5 Sítios:

  1. Planalto Superior da Serra da Estrela e Parte Superior do Rio Zêzere;
  2. Polje de Mira Minde;
  3. Lagoas de Bertiandos e de S. Pedro de Arcos;
  4. Estuário do Mondego;
  5. Fajãs das Lagoas dos Cubres e de Santo Cristo em São Jorge (Açores).

 

Em 2006, reconhecendo a importância estratégica para a conservação da natureza das Zonas Húmidas dos Açores, o Governo Regional entendeu mandar elaborar um estudo à Fundação Gaspar Frutuoso (Centro de Informação Geográfica e Planeamento Territorial da Universidade dos Açores), com vista a designar um conjunto de Sítios Ramsar no Arquipélago.

Os trabalhos levaram à identificação de 11 novos Sítios, conjunto representativo de Zonas Húmidas da Região Autónoma dos Açores (RAA) para designação de Sítios Ramsar, que vieram a ser oficialmente designados a 16 de junho de 2008, com uma área total de 12.790 ha. Tratou-se de um conjunto de tipos de zonas húmidas pouco frequentes, nomeadamente as zonas húmidas do tipo geotérmicas ou turfeiras com vegetação arbórea.

 

Em 2012, 3 novos Sítios foram designados:

  1. Ribeira do Vascão e a lagoa da Pateira de Fermentelos e vale dos rios Águeda e Cértima;
  2. Paul da Praia da Vitória (Açores).

 

Fontes: sig.icnf; Wilder

Imagem de destaque: Retirada da plataforma Flickr.

 

NOCTULA – Consultores em Ambiente realiza várias monitorizações ambientais, nomeadamente monitorização de sistemas ecológicos.

Monitorização de Flora, Vegetação e Habitats:

  1. Identificação da presença de espécies RELAPE;
  2. Acompanhamento da recuperação do coberto vegetal em áreas intervencionadas;
  3. Levantamentos e catálogos florísticos.

 

A nossa equipa já coordenou vários trabalhos neste âmbito, nomeadamente:

 

Caso necessite de algum serviço nestas áreas não hesite em contactar-nos: 232 436 000 ou através do email: info@noctula.pt.

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