Novo projeto coordenado pelo INEGI vai reutilizar Energia Térmica Industrial

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Grande parte dos processos industriais envolvem aquecimento ou arrefecimento de processos, o que representa mais de metade do uso total de energia no setor industrial. Estima-se que 20 a 50% se perca na forma de gases de escape ou vapor.

De forma a melhorar estes processos, o INEGI – Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial vai coordenar um novo projeto, designado de EMB3Rs, que tem como objetivo criar uma plataforma online, de acesso aberto (open source) e colaborativa, para simulação de cenários de recuperação, conversão e distribuição do excesso de energia térmica industrial.

Este projeto vai iniciar em Setembro e é financiado pelo Programa Europeu Horizonte 2020.

A nova plataforma vai reunir num só local informações sobre as mais recentes tecnologias, modelos de otimização energética e cálculo de custos e benefícios.

Estas informações permitem que os stakeholders de várias indústrias possam explorar e avaliar, de forma autónoma, as soluções possíveis para rentabilizar a energia em excesso, e reduzir o tempo necessário à realização de estudos de viabilidade técnica e económica.

Com esta ferramenta será possível:

  1. simular vários cenários;
  2. determinar os custos e benefícios das diferentes tecnologias e rotas de utilização;
  3. definir as condições de implementação necessárias para as soluções mais promissoras.

Zenaida Mourão, coordenadora do projeto e investigadora no INEGI, afirma que “a recuperação e reutilização do excesso de energia térmica pode ter inúmeras vantagens, tanto económicas com ambientais. Numa perspetiva económica, pode ser importante para a eficiência energética e consequente rentabilidade financeira e a nível ambiental é fundamental, já que 80% desta energia é de origem fóssil”.

A reutilização desta energia pode passar também pela sua reaplicação noutros processos da mesma fábrica e ainda fora do local de produção original (outras indústrias ou edifícios comerciais e domésticos), constituindo uma potencial fonte de receita.

Apesar de todas as vantagens, a implementação deste tipo de soluções nas empresas é ainda condicionada pelos seguintes fatores:

  1. complexidade dos processos térmicos industriais;
  2. desconhecimento das tecnologias disponíveis;
  3. falta de recursos humanos e técnicos para levar a cabo uma análise abrangente e determinar as opções mais rentáveis;
  4. dificuldade em estabelecer parcerias, devido à fraca visibilidade e diálogo limitado entre empresas e entidades.

Para ajudar a indústria a ultrapassar estes obstáculos, o projeto EMB3Rs irá juntar 16 parceiros, empresas, instituições de I&D e entidades públicas, de 8 países Europeus (Portugal, Áustria, Dinamarca, Alemanha, Grécia, Holanda, Suécia e Reino Unido).

Além da coordenação, o INEGI será ainda responsável pela “definição de requisitos e modelos para a caracterização das opções de recuperação de calor” a disponibilizar na plataforma.

Posteriormente, em parceria com a CIMPOR e a Climaespaço, o INEGI irá levar a cabo estudos de caso práticos, nos quais irá prestar assistência na caracterização do calor/frio em excesso disponível e a apoiar a escolha das soluções indicadas pela plataforma como mais adequadas para estes casos.

Esta fase, incluirá ainda uma iniciativa conjunta com a ADENE – Agência Nacional para a Energia para mapear e caracterizar a energia térmica industrial em excesso disponível a nível nacional, passível de ser rentabilizada em sistemas energéticos locais.


Fonte: INEGI

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