As 10 espécies de aves mais observadas no âmbito do Censo de Aves Comuns (CAC)

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Com as atuais mudanças que incluem a intensificação agrícola e as mudanças climáticas, é de extrema importância conhecer as tendências populacionais atualizadas das aves comuns e possuir indicadores detalhados sobre as alterações ao estado geral do ambiente.

Desde 2004, que durante a Primavera, se realiza em Portugal Continental e nas ilhas, o Censo de Aves Comuns (CAC), uma iniciativa organizada pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA). Atualmente encontra-se a decorrer a campanha Primavera 2020 (até 15 Junho 2020).

Esta iniciativa funciona com base na participação voluntária de colaboradores de campo.

Saiba como participar nos Censo de Aves Comuns 2020 AQUI.

O Censo de Aves Comuns é um programa de monitorização de aves comuns nidificantes e dos seus habitats em Portugal. Os dados obtidos são importantes indicadores para informar políticas de ordenamento do território e conservação de natureza. Por exemplo, o Índice de Aves Comuns foi utilizado como Indicador da Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável e o Índice de Aves Comuns de Zonas Agrícolas é utilizado como indicador do Programa de Desenvolvimento Rural.

Em conjunto com dados de programas semelhantes em vários países da Europa, os dados do CAC estão a produzir indicadores para medir o progresso relativamente às metas estabelecidas pela Convenção sobre Diversidade Biológica e pela União Europeia, no sentido de travar o declínio da biodiversidade.

Principais objetivos do Censo de Aves Comuns

Recolher informação sobre as variações populacionais das aves comuns nidificantes em Portugal e analisar as tendências populacionais;

Calcular índices multiespecíficos associados aos principais tipos de habitat, nomeadamente o agrícola e florestal, que possam ser utilizados como indicadores do estado ambiental dos ecossistemas;

Contribuir anualmente para o Esquema Pan-Europeu de Monitorização de Aves Comuns (PECBMS), com os dados das tendências populacionais no território nacional;

Promover a conservação das aves e dos seus habitats através do envolvimento direto de um grande número de colaboradores voluntários num projeto de monitorização da avifauna à escala nacional;

Contribuir com os dados recolhidos para estudos científicos que permitam melhorar o conhecimento da avifauna, das ameaças e das medidas que permitam reverter tendências negativas e melhorar o estatuto de conservação das espécies.

Metodologias do trabalho para observar aves

1) No primeiro ano, para cada quadricula de monitorização, realiza-se uma visita inicial dedicada ao reconhecimento da área e à seleção dos 20 pontos de escuta que devem ficar distribuídos pelos diferentes habitats, distanciados pelo menos 1km entre si. Nesta visita é feito um primeiro registo detalhado do habitat de cada ponto.

2) Cada quadrícula deve ser visitada 2 vezes por ano, a primeira em abril e a segunda em maio (nos Açores a época decorre 15 dias mais tarde), devendo assegurar-se um intervalo mínimo de 30 dias entre ambas.

3) A duração dos censos é de 5 minutos em cada ponto e cada visita sequencial aos 20 pontos tem de ser feita num só dia.

4) De ano para ano, os censos devem ser feitos sempre nos mesmos pontos, como forma de se registar todas as alterações que sejam detetadas no habitat.

5) Todos os dados recolhidos são introduzidos pelos observadores na base de dados online PortugalAves eBird.

Fazer voluntariado e participar nos Censos de Aves.

10 espécies de aves mais observadas 

O relatório do Censo de Aves Comuns (CAP) 2019 publicado em Março de 2020, faz referência às 10 espécies de aves mais abundantes em Portugal Continental e abordou a situação de conservação de cada uma das espécies.

No total foram registadas 240 espécies distintas em Portugal Continental, no período de 2004 a 2019, mas o relatório concentra-se nas tendências demográficas atualizadas de 64 espécies comuns para o período 2004-19, assim como os índices multiespecíficos de aves agrícolas e aves florestais.

Ranking das 10 espécies mais abundantes detetadas em Portugal Continental durante o CAC, entre 2004 e 2019 | Fonte: SPEA

1) Pardal-comum (Passer domesticus)

O total de pardais-comuns registados ao longo dos últimos 16 anos somou 108.742 aves. Ainda assim, as populações desta espécie continuam a sofrer um “declínio moderado”.

2) Pombo-doméstico (Columba livia)

O pombo-doméstico é uma espécie de habitats mais naturais e inacessíveis. É conhecida por pombo-das-rochas e entre 2004 e 2019 foram registadas 31.101 aves.

3) Andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica)

A andorinha é uma ave ave migradora, que se alimenta de insetos e por isso, está mais associada ao meio rural. É uma das espécies mais observadas, com 29.720 registos entre 2004 e 2019, mas segundo a SPEA apresenta uma “tendência negativa” ao longo dos últimos 16 primeiros anos do censo, com um “declínio acentuado” das suas populações.

4) Melro-preto (Turdus merula)

Os melros-pretos, depois de terem sido considerados, ao longo de vários anos, com uma tendência de declínio moderado em Portugal Continental, estão agora numa situação estável.  Foram vistos ou ouvidos 29.176 melros em 16 anos.

5) Milheirinha (Serinus serinus)

Esta pequena ave também conhecida como chamariz, é outra espécie associada aos meios agrícolas e apresenta um “declínio moderado”. Foram registadas 27.996 milheirinhas entre 2004 e 2019.

6) Estorninho-preto (Sturnus unicolor)

O estorninho surge como uma das poucas aves de meios agrícolas com um “aumento moderado”, uma melhoria que, segundo o relatório, pode estar relacionada com o aumento significativo da cobertura do censo. Ao todo, registaram-se 25.992 estorninhos-pretos.

7) Andorinha-dos-beirais (Delichon urbica)

Esta andorinha é uma das aves migradoras mais conhecida e um símbolo da Primavera. No âmbito do CAC, registaram-se 25.861 aves desta espécie, que apresenta uma tendência estável.

8) Trigueirão (Miliaria calandra)

Os trigueirões viram a sua situação melhorar, apresentando um crescimento moderado. Esta espécie é mais comum nos meios agrícolas e teve um total de 23.590 registos ao longo dos últimos 16 anos de realização do censo.

9) Pintassilgo (Carduelis carduelis)

Os pintassilgos têm tido uma “tendência negativa” semelhante à dos pardais-comuns e da milheirinha. Entre 2004 e 2019 foram observadas 22.243 destas aves.  O declínio continuado de algumas espécies dos meios agrícolas é um alerta para a necessidade de monitorizar eventuais mudanças que estejam a ocorrer com impacto para a biodiversidade.

10) Rola-turca (Streptopelia decaocto)

A rola-turca teve um aumento considerável, com 18.536 registos no âmbito do CAC, o que levou à entrada desta espécie para o ranking das 10 aves mais observadas.

Neste relatório, também foram avaliadas as espécies de aves mais observadas, tanto na ilha da Madeira, como nas ilhas dos Açores.

Os resultados detalhados do relatório CAC 2004-2019, podem ser consultados AQUI.


NOCTULA – Consultores em Ambiente desenvolve trabalhos no âmbito da Monitorização de Sistemas Ecológicosnomeadamente, monitorizações de:

  1. Aves;
  2. Mamíferos terrestres, marinhos e voadores;
  3. Fito e Zooplâncton;
  4. Invertebrados;
  5. Herpetofauna (anfíbios e répteis);
  6. Monitorização de Flora, Vegetação e Habitats.

Conheça alguns trabalhos realizados pela nossa equipa nestas áreas:

1) Monitorização de Tartaranhão-caçador no Parque Eólico de Negrelo e Guilhado;

2) Atividade e mortalidade de Aves e Quirópteros – Parque Eólico Testos II;

3) Monitorização de Aves e Quirópteros – Sobreequipamento do Parque Eólico Pena Suar;

4) Monitorização de Avifauna, em particular a comunidade de Peneireiro (Falco tinnunculus) – Parque Eólico da Maunça

5) Monitorização de Aves Migradoras Planadoras e Quirópteros – Parque Eólico Picos Verdes I

Caso necessite de algum serviço na área da Monitorização de Sistemas Ecológicos, não hesite em contactar-nos: 232 436 000.


Fontes: SPEA, Wilder

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