Taxas de mortalidade rodoviária de aves e mamíferos na Europa

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Com os crescimento da população, a construção de autoestradas tornou-se essencial para melhorar as acessibilidades, no entanto, estes investimentos também geram alguns impactes negativos, tais como: poluição sonora, destruição e fragmentação de habitats e aumento da mortalidade de animais, representando assim, uma ameaça à biodiversidade e aos ecossistemas.

Uma equipa de investigadores internacional, que também integra a portuguesa Clara Grilo, investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, no pólo da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, analisou e divulgou recentemente, as taxas de mortalidade rodoviária de aves e mamíferos na Europa.

Os resultados do estudo “Roadkill risk and population vulnerability in European birds and mammals”, foram publicados na revista científica Frontiers in Ecology and Environment, com base na análise de 90 estudos com registos de atropelamentos de mamíferos e aves terrestres, em 24 países europeus, entre 2000 e 2018.

Estima-se que cerca de 194 milhões de aves e 29 milhões de mamíferos morrem por ano em rodovias europeias, com um maior número de atropelamentos no centro da Europa, onde a densidade de estradas é maior.

Os investigadores deste estudo desenvolveram um modelo baseado em características para prever as taxas de atropelamentos de aves terrestres e espécies de mamíferos na Europa e um modelo populacional generalizado para estimar a sua vulnerabilidade de longo prazo à mortalidade rodoviária.

Começaram por analisar as taxas de atropelamento de 140 espécies de aves e 75 espécies de mamíferos. Clara Grilo, explicou que “de uma maneira geral, as espécies que correm maior risco são as mais abundantes”.

Em Portugal, os dados analisados apontam para maiores taxas de atropelamento em espécies como:

  1. cartaxo-comum (Saxicola rubicola)
  2. toutinegra-de-cabeça-preta (Sylvia melanocephala)
  3. coruja-das-torres (Tyto alba)
  4. morcego-de-Kuhl (Pipistrellus kuhlii)
  5. morcego-pigmeu (Pipistrellus pygmaeus)
  6. ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus).

Segundo a investigadora, “não basta estimar atropelamentos e encontrar os segmentos de estrada com maior número de atropelamentos, porque as espécies mais vulneráveis, não são necessariamente as que são mais vezes atropeladas”.

A equipa identificou também as espécies particularmente vulneráveis à mortalidade adicional (relacionada com atropelamentos) a nível Europeu, com base nos parâmetros demográficos de cada uma.

Por cada espécie, analisaram:

  1. a maturidade sexual;
  2. o número de crias por ninhada e de ninhadas por ano;
  3. a mortalidade natural anual.

Clara Grilo, explicou que as espécies mais vulneráveis à mortalidade adicional são aquelas que têm uma taxa de reprodução baixa e não conseguem compensar a perda de indivíduos devido aos atropelamentos, por exemplo, as rapinas diurnas e os morcegos“.

Os resultados do estudo apontam para 126 espécies de aves e mamíferos vulneráveis à morte nas estradas europeias.

As concentrações mais altas de espécies de aves vulneráveis foram encontradas na Península Ibérica, Balcãs e países do Leste da Europa. Já as espécies de mamíferos em maior vulnerabilidade, concentram-se no norte de Espanha, Itália, Áustria e Balcãs.

Para finalizar a investigadora Clara Grilo refere que “o importante é perceber, em populações de espécies vulneráveis, qual é a percentagem de indivíduos que morrem atropelados. Só assim vai ser possível determinar quais são aquelas que estão efetivamente em maior perigo”.

“Do ponto de vista da conservação, tem que se ter em conta a densidade populacional para intervir com medidas de mitigação. Se apenas se analisar o número de atropelamentos, podemos estar a identificar incorretamente os segmentos de estradas que mais precisam de ser mitigados”, concluiu a investigadora.

Importância da minimização dos impactos das estradas sobre a Fauna?

Monitorização de Sistemas Ecológicos é fundamental em infraestruturas rodoviárias quer para detetar eventuais impactes no comportamento dos animais, quer para verificar se as medidas de minimização estão a funcionar.

Uma das medidas de minimização muitas vezes propostas para diminuir o atropelamento de animais é a construção de passagens por baixo ou por cima das estradas.

Intitulados de Ecodutos ou pontes verdes, estas infraestruturas permitem a circulação de animais, protegendo-os de colisões com veículos e evitando a fragmentação do seu habitat natural.

Leia o nosso artigo: Passagens Verdes: Como ajudar os animais a atravessar a estrada? 

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No âmbito da construção e exploração de infraestruturas rodoviárias a NOCTULA – Consultores em Ambiente participou em vários projetos, tendo sido responsável, nomeadamente na:

— Elaboração do Guia de Identificação de Animais Atropelados na Subconcessão do Douro Interior;

— Monitorização do Efeito de Exclusão sobre a Fauna no Lote 8 da Subconcessão rodoviária do Douro Interior;

— Monitorização de Quirópteros e de Flora no Lote 7 da Subconcessão rodoviária do Pinhal Interior.

A nossa equipa também realiza várias monitorizações ambientais, nomeadamente Monitorização de Sistemas Ecológicos:

  1. Fito e Zooplâncton
  2. Flora, Vegetação e Habitats
  3. Invertebrados
  4. Herpetofauna (anfíbios e répteis)
  5. Aves
  6. Mamíferos voadores – quirópteros (morcegos)
  7. Mamíferos terrestres
  8. Mamíferos marinhos

Para além da monitorização de Sistemas Ecológicos, também elaboramos e implementa planos de gestão para espécies específicas de fauna e flora e medidas de minimização e compensatórias de impactes sobre as mesmas.

Caso necessite de algum serviço nesta área não hesite em contactar-nos: 232 436 000 ou através do email: info@noctula.pt.


Fontes: Wilder; Frontiers in Ecology and Environment

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