Aprovada Estratégia Nacional para o Hidrogénio (EN-H2)

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O Conselho de Ministros aprovou recentemente o diploma sobre a Estratégia Nacional para o Hidrogénio (EN-H2), que tem como principal objetivo introduzir um elemento de incentivo e estabilidade para o setor energético, promovendo a introdução gradual do hidrogénio enquanto pilar sustentável, integrado numa estratégia de transição energética para uma economia descarbonizada.

Na próxima década o setor da energia será aquele que dará o maior contributo para a descarbonização, pelo que a transição energética assume um papel extremamente importante.

Em comunicado, o Governo explica que as metas e os objetivos para o setor da energia são claros:

  1. alcançar uma incorporação de 47% de fontes renováveis no consumo final de energia;
  2. reduzir para 65% a dependência energética e em 35% o consumo de energia primária.

Acelerar a transição energética e a descarbonização da economia significa que Portugal deve apostar na produção e na incorporação de volumes crescentes de hidrogénio verde, promovendo uma substituição dos combustíveis fósseis mais intensa.

O papel que os gases renováveis, em particular o hidrogénio, podem desempenhar na descarbonização dos vários setores da economia, com particular foco nos transportes e na industria, permitirá alcançar níveis elevados de incorporação de fontes renováveis de energia no consumo final de energia de forma mais eficiente.

Por outro lado, tendo em conta a sua flexibilidade e complementaridade com o Sistema Elétrico Nacional, seja na versão consumo, armazenamento ou produção, permite acelerar a descarbonização do próprio setor elétrico.

Metas energia e clima de Portugal [Fonte: PNEC 2030]

Esta estratégia propõe um conjunto de medidas e metas de incorporação para o hidrogénio em vários setores da economia, com o objetivo de promover e dinamizar, tanto a produção como o consumo, criando as necessárias condições para uma verdadeira economia de hidrogénio em Portugal.

Principais vantagens do Hidrogénio

1) Em complementaridade com a estratégia de eletrificação, permite reduzir os custos da descarbonização;

2) Reforçar substancialmente a segurança de abastecimento num contexto de descarbonização, dado que o hidrogénio permite armazenar eletricidade renovável durante longos períodos de tempo;

3) Reduzir a dependência energética ao usar na sua produção fontes endógenas;

4) Reduzir as emissões de GEE em vários setores da economia uma vez que promove mais facilmente a substituição de combustíveis fósseis (ex.: indústria da refinação, química, metalúrgica, cimento, extrativa, cerâmica e vidro);

5) Promover a eficiência na produção e no consumo de energia ao permitir soluções em escala variável à medida das necessidades, próximas do local de consumo e distribuídas pelo território nacional;

6) Promover o crescimento económico e o emprego por via do desenvolvimento de novas indústrias e serviços associados.

O reconhecimento da importância do hidrogénio reside no facto de ser um portador de energia com elevada densidade energética, o que lhe permite ser uma solução para:

  1. processos industriais intensivos;
  2. armazenar energia produzida através de fontes renováveis;
  3. possibilitar o surgimento de outros combustíveis de base renovável (ex.: combustíveis sintéticos para o setor dos transportes marítimos e aviação).

A aposta no hidrogénio contribui para potenciar o cumprimento dos objetivos nacionais de incorporação de fontes renováveis no consumo final de energia e para a descarbonização, com particular ênfase na indústria e na mobilidade (sobretudo no transporte rodoviário pesado de passageiros e no de mercadorias, incluindo a logística urbana).

Portugal apresenta condições muito favoráveis, para desenvolver uma economia de Hidrogénio, nomeadamente, a existência de uma infraestrutura de gás natural moderna, preços de produção de eletricidade renovável muito competitivos e uma localização geográfica estratégica para exportação.

Projetos e iniciativas futuros no âmbito da produção de Hidrogénio

1) Implementar um projeto âncora à escala industrial de produção de hidrogénio verde em Sines

Iniciativa focada em alavancar a energia solar e eólica, tirando partido da localização estratégica, onde será instalada uma unidade industrial com uma capacidade total em eletrolisadores de, pelo menos, 1 GW até 2030, que permita posicionar Sines e Portugal, como um importante hub de hidrogénio verde.

2) Descarbonização do setor dos transportes

Iniciativa que pretende promover e apoia o hidrogénio e os combustíveis sintéticos produzidos a partir de hidrogénio, em complemento com a eletricidade e os biocombustíveis avançados, enquanto solução para alcançar a descarbonização deste setor (rodoviário de transporte de
mercadorias e passageiros)

Serão ainda apoiadas as infraestruturas de abastecimento a hidrogénio.

3) Descarbonizar a indústria nacional

O hidrogénio representa uma oportunidade para a descarbonização de muitos subsetores (ex.: metalúrgica, química, extrativa, vidro e cerâmica, cimento).

4) Implementar um laboratório colaborativo para o Hidrogénio, de referência a nível nacional e internacional

Desenvolverá atividade de I&D em torno das principais componentes relevantes da cadeia de valor do hidrogénio e que potencie o desenvolvimento de novas indústrias e serviços.

O ministro do Ambiente e Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, explicou que “produzir hidrogénio faz parte da estratégia de eletrificação e redução das emissões de gases com efeito de estufa”.

Segundo o documento sobre a Estratégia Nacional para o Hidrogénio, Portugal pretende manter o o foco e a ambição em liderar a transição energética e o combate às alterações climáticas. A estratégia rumo a uma economia neutra em carbono, tem como base as fontes de energia renovável, com foco na eficiência energética e nos benefícios para o consumidor de energia. Esta orientação pretende promover a descarbonização da economia e a transição energética visando a neutralidade carbónica em 2050.


Fontes: Portugal.GOV, Portal Participa

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