Revisão do livro vermelho dos peixes de água doce e migradores de Portugal Continental

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Recentemente vários investigadores e técnicos reuniram-se na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) para apresentarem o projeto de revisão do Livro Vermelho e desenvolvimento de um Sistema Nacional de Informação dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental.

De 2019 a 2021, equipas de especialistas de várias Universidades vão trabalhar neste projeto que estará estruturado em três pontos cruciais de análise:

  1. Determinar qual a distribuição e a abundância das espécies (a cargo dos investigadores da Universidade de Évora, Unidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e Instituto Politécnico de Bragança);
  2. Clarificar a identidade taxonómica das espécies (a cargo do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, ISPA);
  3. Avaliar o risco de extinção de cada espécie (fase que só começará em 2020).

Para análise deste pontos serão efetuados trabalhos de campo com dezenas de pontos de amostragem por todo o país e análises genéticas.

O Livro Vermelho terá fichas para cada espécie, incluindo as categorias de:

  1. ameaça;
  2. distribuição;
  3. ecologia;
  4. tendências populacionais;
  5. fatores de ameaça;
  6. medidas de conservação.

Há 15 anos que Portugal não procedia a uma atualização sobre o risco de extinção destas espécies.

Na última atualização, em 2005, Portugal tinha 8 Espécies Criticamente em Perigo de Extinção:

  1. lampreia-de-rio
  2. saramugo
  3. boga-do-sudoeste
  4. boga-portuguesa
  5. escalo-do-Arade
  6. escalo-do-Mira
  7. salmão-do-Atlântico
  8. truta-marisca

Vítimas de várias décadas de perda de habitat e usos insustentáveis dos sistemas aquáticos, os peixes de rio (dulciaquícolas) e migradores (diádromos  – peixes que utilizam ambos os ecossistemas ‘água doce e água salgada’ ao longo do seu ciclo de vida), enfrentam uma situação preocupante.

Filomena Magalhães, coordenadora geral do projeto e investigadora do cE3c – Centro para a Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais da FCUL, afirmou que “passados 15 anos, a informação está desatualizada (…). Novas espécies foram entretanto descritas e os rios mudaram, umas vezes para melhor, graças aos esforços de conservação de projetos como o LIFE Saramugo e o LIFE Águeda e outras para pior”.


Leia o nosso artigo sobre o projeto LIFE Saramugo.


No que diz respeito à criação de um Sistema Nacional de Informação dos Peixes Dulciaquícolas e Diádromos de Portugal Continental, João Oliveira, coordenador executivo do projeto, explica que “este sistema terá uma ferramenta, que através de um “retrato robot”, pode identificar os peixes”.

O técnico afirma ainda que este sistema pretende ser uma plataforma interativa que reúne toda a informação sobre estas espécies”. (…) Será deacesso livre para todos, desde os pescadores e investigadores ao público em geral”.

Os responsáveis acreditam que a informação conseguida sobre as espécies de peixes de água doce e migradoras mais ameaçadas em Portugal Continental “venha contribuir para um comportamento mais informado e responsável de todos, em atividades como o planeamento e gestão do território e a pesca. Só desta forma será possível travar a perda de biodiversidade”.

Saramugo – Fonte: LIFE Saramugo – Fotografia de Carlos Carrapato

Célia Ramos, secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, afirmou durante a sessão da apresentação do projeto que “conhecer as espécies permite gerir os habitats”.

Promovido pela FCiências.ID – Associação para a Investigação e Desenvolvimento de Ciências, o projeto conta com a colaboração de especialistas de várias instituições e é feito em parceria com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Juntamente com a revisão do livro vermelho dos peixes de água doce, em 2021 serão ainda apresentados os livros vermelhos sobre aves e invertebrados. Para 2022 está ainda prevista a apresentação do livro vermelho dos mamíferos e o dos répteis e anfíbios.


NOCTULA – Consultores em Ambiente presta serviços de Monitorização de Sistemas Ecológicosnomeadamente: Monitorização de Aves, Mamíferos terrestres, marinhos e voadores, Fito e Zooplâncton, Invertebrados, Herpetofauna (anfíbios e répteis) e Monitorização de Flora, Vegetação e Habitats.

Conheça aqui alguns dos trabalhos realizados pela NOCTULA nesta área:

1) Monitorização de Tartaranhão-caçador no parque eólico de Negrelo e Guilhado;

2) Lontra e Zooplâncton – Resort & Spa Montebelo Aguieira;

3) Monitorização da Toupeira-de-Água com câmaras de “vídeo-armadilhagem”;

4) Atividade e mortalidade de Aves e Quirópteros – Parque Eólico Testos II.

Caso necessite de algum serviço na área da Monitorização de Sistemas Ecológicos não hesite em contactar-nos através do número 232 436 000.


Fonte: WilderAmbiente Magazine

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