Grifos e Águias Reais entre as espécies mais vulneráveis no impacto com turbinas eólicas

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A independência energética, energia limpa e barata são algumas das razões apontadas para o investimento na energia eólica. No entanto, os efeitos da energia eólica na vida selvagem têm de ser considerados quando se constrói um parque eólico.

Ainda são muitas as dúvidas existentes sobre os efeitos da energia eólica na Vida Selvagem, nomeadamente na avifauna e nas comunidades de quirópteros (morcegos).

Um novo estudo científico publicado na Proceedings Of The Royal Society B sobre os riscos de colisão de diferentes espécies de aves e morcegos com turbinas de parques eólicos, revela que duas espécies das aves de rapina que ocorrem em Portugal, as Águias-reais e os Grifos, estão entre as mais ameaçadas.

O estudo foi coordenado pelo British Trust for Ornithology (BTO), com o apoio da BirdLife International, União Internacional para a Conservação da Natureza, da RSPB (Royal Society for the Protection of Birds), do Centro Mundial de Monitorização da Conservação do Ambiente das Nações Unidas e  da Universidade de Cambridge.

Este novo estudo estima as possibilidades de colisão de várias aves e morcegos, tendo em conta fatores como:

  1. O comportamento migratório e a ecologia de cada espécie;
  2. A altura e a capacidade das turbinas eólicas.

Os investigadores concluíram que as aves de rapina são as mais vulneráveis aos parques eólicos, com destaque para três espécies: Águia-Real (Aquila chrysaetos), Grifo (Gyps fulvus) e Águia-Rabalva (Haliaeetus albicilla).

Em Portugal, o Livro Vermelho dos Vertebrados aponta a Águia-Real como uma espécie Em Perigo, enquanto que o Grifo tem o estatuto de quase ameaçado. Já a Águia-Rabalva é uma espécie característica do Norte da Europa e também da Ásia.

Grifo (Gyps fulvus) Fonte: Flickr

Porque é que estas espécies são mais vulneráveis?

Os técnicos que realizaram este estudo relacionaram a taxa de colisão com as características da espécie e as características da turbina, de forma a quantificar a vulnerabilidade potencial de 9538 aves e 888 espécies de morcegos a nível global.

Como resultado, foi determinado que os impactos sucedem porque as três espécie mais afetadas, “utilizam muitas vezes habitats artificiais, como as terras agrícolas para a caça, onde os parques eólicos estão mais vezes localizados”, refere a BirdLife International.

A BirdLife International acrescenta ainda, que por outro lado, as aves de rapina têm a visão adaptada à caça, ou seja, “há um grande período de tempo, em que estas espécies não vêm nada em frente delas, o que significa que uma turbina eólica as pode apanhar completamente de surpresa”.

A ameaça dos parques eólicos para estas espécies é preocupante devido à sua taxa de reprodução bastante lenta, pelo que a perda de aves adultas tem um impacto grande nas suas populações.

O estudo concluiu ainda que as aves migradoras são também das mais afetadas pelos parques eólicos, em especial quando estão localizados “ao longo de rotas migratórias e costeiras”.

Águia-Real (Aquila chrysaetos) Fonte: Flickr

Qual a solução?

Embora existam impactos registados, a energia eólica tem muito menos impacto que as fontes de energia tradicionais, incluindo para a avifauna e os seus habitats.

Os cientistas deste estudo propõem a implementação de algumas medidas que passam por:

  1. Escolher a localização acertada para os parque eólicos, evitando as rotas migratórias;
  2. Construção de menos turbinas, optando por turbinas de maiores dimensões.

Os resultados de estudos neste âmbito permitem ainda, orientar o design e a localização dos parques eólicos para reduzir o risco de mortalidade animal em grande escala.


Leia o artigo sobre: A verdade sobre a Energia Eólica na Vida Selvagem


Apesar de ainda existir perca de algumas aves e quirópteros devido ao impacto com as turbinas eólicas, a mortalidade de aves em parques eólicos será sempre uma parte ínfima das mortes causadas pela atividade humana. Outras causas antropogénicas de morte nas aves incluem: colisões com edifícios, linhas elétricas, carros, envenenamento com pesticidas, torres de rádio e comunicações.

De forma a diminuir os impactos na avifauna, os proprietários dos parques eólicos promovem trabalhos de monitorização das comunidades de aves, assim como da ocorrência de mortalidade, na área de implantação dos parques, e ainda medidas de minimização e mitigação, assim como medidas de compensação.

Existem outros fatores que permitem a redução do número de acidentes com aves em parques eólicos, como por exemplo:

1) A evolução tecnológica do tipo de aerogerador;

2) Maior cuidado no levantamento e resolução de problemas de natureza local;

3) Adaptação do regime de funcionamento dos aerogeradores a condições favoráveis à minimização de acidentes.


A NOCTULA – Consultores em Ambiente presta serviços especializados de monitorização, mitigação e investigação para aves aquáticas e marinhas, aves de rapina, passeriformes em geral, aves de montanha, estepárias e noturnas. As metodologias utilizadas são:

  1. Censos de aves (transectos, pontos fixos, método dos mapas, emissão de vocalizações conspecíficas (também designado por “chamamentos de aves noturnas”));
  2. Bioacústica (monitorização e avaliação do impacte do ruído e da perturbação em bioindicadores);
  3. Radio-tracking e seguimento por satélite.

Alguns dos trabalhos realizados pela NOCTULA nesta área:

1) Monitorização de Tartaranhão-caçador no parque eólico de Negrelo e Guilhado 

2) Atividade e mortalidade de Aves e Quirópteros – Parque Eólico Testos II

3) Monitorização de morcegos – parque eólico do Sobrado

4) Monitorização da mortalidade de aves e quirópteros – parque eólico da Serra d’el Rei – Peniche


Fonte: Wilder

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